René Miguel tinha paixão pelas figueiras existentes em Dourados. Paixão talvez seja exagero meu, pois paixão mesmo ele tinha era pelo Corinthians, mas ele gostava delas, tinha plantado uma na Praça Antonio João em frente ao seu Cartório, sabia onde estavam localizadas as outras e até quantos anos tinham. Eu, particularmente gosto muito mais do tamarindeiro que tenho em frente de minha casa, plantado com minhas próprias mãos, após ter ganhado a muda do professor Mário Geraldini, falecido no dia 21 e agosto deste ano de 2011. Mas, convenhamos, aquela figueira na esquina da Comid, é de uma beleza de se tirar o chapéu. Aquela outra, que caiu de velha e que dava o nome ao posto da figueira também era um baita patrimônio de nossa cidade. Na saída de Itaporã temos duas figueiras, uma delas, à esquerda de quem sai de Dourados, corria sério risco de ser derrubada quando a Rodovia Pedro Palhano foi duplicada. Estivemos lá com um grupo de ambientalista fazendo protesto em favor de sua vida. Um dos descendentes de Pedro Palhano garantiu-me que aquela figueira tinha pouco mais de cem anos.
Estaria hoje pela manhã no protesto pela derrubada da figueira da rua Weimar Torres, mas não pude. De qualquer forma a minha presença, tanto quanto a dos que compareceram ao ato convocado via Facebook, não adiantaria em nada. E mais uma figueira secular já está sendo derrubada.
Os proprietários do terreno onde está (estava) a figueira talvez pudessem dizer: “Olha gente, este terreno está no centro da cidade, é muito valorizado, se quisermos manter a figueira, então que o município pague pelo terreno o valor de mercado e causo encerrado”. Ou, no mínimo poderiam ainda dizer: “Olha, a gente dá um jeito de preservar a figueira em troca de IPTU”
Essas propostas, se aceitas, contribuiriam para a preservação de um bem que serve a todos, portanto nada mais justo. Agora, o que me surpreende é que o COMDAM autorizou a derrubada da figueira em troca de um GPS e dois computadores para o Instituto do Meio Ambiente.
Não sei o valor desses instrumentos, mas não seria mais lógico, em último caso, autorizar a derrubada da figueira em troca de um reflorestamento em área do Município?