Wlademiro Amaral era agrimensor de profissão, tinha profundo conhecimento da região e sabia perfeitamente que as nossas terras férteis precisavam de técnicos especializados para fazê-las produzir. Doou aquela quadra (hoje reitoria da UFGD) ao Governo do Estado para que fosse implantada a Faculdade de Agronomia, tanto é verdade que quando da inauguração do prédio, a placa comemorativa trazia a inscrição: “Faculdade de Agronomia”. Mas, não tendo sido cumprido o desejo do doador, esse nome foi riscado da placa, rasura que deve permanecer até hoje, se é que a placa não foi removida.
Ao invés da Faculdade de Agronomia foram implantados em Dourados em 1971 os cursos de Letras e Estudos Sociais (embora tenham sido anunciados os cursos de História e Geografia, o que gerou a primeira greve do ensino superior em Dourados). Estudos Sociais sucumbiu, não resistiu nem mesmo ao fim da ditadura militar que o implantou. Restou Letras, sólido, vibrante, forjador de jovens talentos literários, lingüísticos, poéticos e jornalísticos. Restou Letras, o primeiro curso superior abaixo de Campo Grande, que formou professores habilitados para ensinar a Língua de Fernão Lopes, Gil Vicente, Camões e Saramago; a Língua de Machado, Drummond, João Cabral, de Chico, de Vinícius e de todos nós.
Quarenta anos decorridos, talvez poucos se lembrem dos pioneiros, quase todos migrantes: Isaura Higa e Telma Vale de Loro vieram de Campo Grande. A irmã Josefina e a professora Ema Elisa Goellsner do Rio Grande do Sul. O professor José Pereira Lins do Nordeste e Lauro Chociai do Paraná. Dos pioneiros faleceram Isaura Higa, que empresta o seu nome à Biblioteca e José Pereira Lins, hoje dando nome ao edifício da FACALE. Os outros pioneiros que ministraram aulas no curso de Letras, embora fossem de outras áreas de conhecimento foram os professores Kiyoshi Rachi, vindo de São Paulo, Zonir de Freitas Tetila, mato-grossense da gema e Lori Alice Gressler, vinda do Rio Grande do Sul.
Atualmente imagino que os pioneiros, lembrados ou não, devem sentir uma pontinha de satisfação por terem enfrentado tantos e tantos sacrifícios para legarem à nossa região essa grande realização imaterial, que forjou lideranças, que cresceu, fortaleceu-se e hoje é reconhecido nacionalmente.