Os cartões que recebo me alegram, não somente pelos votos que eles trazem, mas porque sou lembrado. É provável que vocês, meus familiares, amigos e amigas, também comunguem desse mesmo modo de pensar, mas não lhes envio um cartão, apenas uma singela crônica de final de ano.
Carlos Drummond de Andrade, ao refletir sobre as festas natalinas e as comemorativas de início de Ano Novo escreveu que :
"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente"
Está certo Drummond, mas o milagre da renovação, no entanto, não se dá pura e simplesmente com a troca de um número no calendário, o milagre da renovação se dá de fato, como veremos.
Meu irmão, dias atrás, ensinou-me que no final do ano não devemos imaginar que as festas natalinas e de réveillon sejam fantasias apenas, que tudo continuaria numa sequência e que com elas (as festas) ou sem elas, tudo seria da mesma forma. O seu raciocínio pareceu-me criativo, interessante e verdadeiro. Vejamos:
Se a Terra gira em torno de seu próprio eixo a uma velocidade de 1.700 km por hora, ao redor do Sol a 107.000 km por hora e se o Sol e todo o sistema solar gira em relação ao centro da nossa Galáxia a uma velocidade de 1.000.000 (um milhão) de km/hora, como o tempo poderia ser apenas e simplesmente uma continuidade repetitiva?
E isso sem considerarmos que o Universo está em constante expansão, sabe-se lá para onde, para que, e a que velocidade?
Ora, ora, pois, Vivas! Feliz Natal, Feliz Ano Novo. Que 2012 lhe seja muito melhor que 2011 e bem pior que 2013. No mais, como já diziam os meus antepassados: “salute e palanque a tutti e quantti”, ou seja, “saúde e prosperidade a todos e em quantidade”