Quarta feira, 1º de fevereiro deste ano de 2012, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Dourados – SIMTED – deu posse a uma nova diretoria. No evento, foram homenageadas as diretorias anteriores nas pessoas de seus ex-presidentes. Justas as homenagens, o SIMTED, em seus quase trinta e quatro anos de existência, transformou-se em verdadeira fábrica de lideranças. E não me refiro apenas aos deputados Laerte Tetila, Lauro David e o federal Biffi, lideranças forjadas na luta sindical, mas também aos demais presidentes e membros das diretorias que se transformaram em vanguarda de um movimento que fortaleceu a consciência de classe e, graças a isso, puderam oferecer aos colegas uma visão crítica de mundo, ou se quiserem, a consciência política da realidade em que vive o magistério.
A renovação da diretoria foi radical, não por vitória oposicionista, mas porque os seus dirigentes, capitaneados pelo professor Brumatti, resolveram voltar para a sala de aula após anos de dedicação à categoria. Como referência dessa renovação, cito apenas a presidência, ocupada por um jovem geógrafo formado em outra fábrica de lideranças, o CEUD, atual UFGD --- João Vanderlei de Azevedo -- e a vice, outra jovem, -- Gleice Jane Barbosa -- uma guerreira do movimento estudantil da UEMS.
Enquanto os discursos dos ex-presidentes rememoravam as lutas passadas, fiquei a imaginar quais seriam os desafios dessa nova diretoria. Por certo, ela deverá continuar a edificação da sede e do clube de campo, mas isso não é visto por nenhum sindicalista como o fator mais importante. Os desafios concentram-se no âmbito sindical.
Pensando nesses desafios, mentalizei o meu discurso lembrando dos desafios que tivemos que enfrentar quando fundamos o sindicado em 7 de maio de 1978, para compará-los com os de hoje. Naquele tempo tínhamos: 1) governantes descomprometidos com a educação tanto em âmbito local quanto estadual; 2) a existência de um grupo de professores conservadores (organizado em Campo Grande na antiga ACP) que pretendia o estabelecimento do sindicado em moldes antigos; 3) o falso conceito de que o magistério é um sacerdócio e que, portanto, o salário e as condições de trabalho não importam; 4) a falta de consciência de classe.
Trinta e quatro anos depois: 1) qual o real compromisso dos governos estadual e municipal com a educação pública? 2) O grupo de professores conservadores perdeu o poder e não consegue mais organizar-se para criar sindicatos paralelos, como aconteceu no passado, mas professores com mentalidade arcaica ainda impedem, mesmo que inconscientemente, o avanço na luta; 3) o velho argumento usado à exaustão pelos governantes, e incorporado ao modo de pensar das pessoas -- de que o magistério é um sacerdócio -- caiu em desuso, uma grande vitória. Hoje pensa-se no magistério como profissão que, como todas as outras, deve ser exercido com comprometimento; 4) Consciência de classe? Bem, embora todos os itens anteriores tenham o seu grau de complexidade, creio que a questão da consciência de classe é o mais elevado. A elite dominante mistificou de tal forma a classe trabalhadora -- e dentro dela a categoria dos trabalhadores em educação -- que ela, salvo uma vanguarda mais politizada, não consegue enxergar-se como elemento transformador da sociedade e, por isso, reproduz a ideologia dominante. Trabalhar essa questão e fazer do magistério o grande transformador da realidade social, é, no meu modo de pensar, o maior desafio da nova diretoria do SIMTED, embora, evidentemente, não possa esquecer-se dos demais desafios.
Por fim um esclarecimento: o novo sindicalismo iniciado com a ADP (Associação Douradense de Professores) em 1978 – hoje SIMTED – não tem nenhuma ligação, absolutamente nada a ver com o sindicalismo da APP (Associação dos Professores Primários de Dourados) de 1970, portanto, ao tentar ligar a história do SIMTED à APP ou se comete erro grotesco, ou se tenta dar à Cesar o que não é de Cesar, algo semelhante com o que aconteceu com a história da UFGD.