Obra: A rainha de Jango: história de Januária Maria da Conceição, Rainha da Reforma Agrária no governo de João Goulart.
Autor: Aldair Lucas Carvalho - Formado em Letras português/espanhol pela UEMS – Mestre em literatura e estudos culturais pela UFGD – professor da rede pública estadual de ensino – autor da obra: Etnias Olvidadas.
Dourados, MS : Nicanor Coelho Editor, 2011, 129 pp. (ISBN 978-85-7965-036-9)
Resenha da obra: Nicanor Coelho perguntou-me se eu conhecia a rainha de Jango. Demorei alguns segundos para a resposta, já ouvira falar da rainha de Sabá, da rainha Hortência, rainha Marta, da rainha da Portela, rainha Leopoldina, Elizabeth, e tantas e tantas outras rainhas, até mesmo a da Sucata, mas rainha de Jango, essa eu não conhecia. Está certo que eu, um professor aposentado, vou deixando para um cantinho recôndito da memória os capítulos que não tiveram contribuição decisiva no processo histórico, mas poxa, por ser contemporâneo e também por estudar o governo de Jango eu sabia de muitos detalhes, mas Rainha? Descobri a "Rainha de Jango" quando o editor Nicanor Coelho agraciou-me com a obra de Aldair Lucas Carvalho.
Li o livro de um só fôlego. Minha intenção era matar a curiosidade que o tema me despertou e não a de fazer uma resenha crítica. Daí a rapidez da leitura. Se fosse uma resenha crítica eu teria que parar a leitura, refletir sobre cada frase, contrapor argumentos, enfim estabelecer um juízo de valor. Nessa resenha bibliográfica, apenas faço a apresentação do livro segundo a minha leitura.
O autor entrevista dona Januária, recebe dela uns cadernos, na verdade diários, e transforma esse material em um livro que bem poderíamos classificar como sendo “histórias de vida”. E que vida? Dona Januária percorre um caminho fascinante: de campesina no Ceará torna-se metalúrgica em São Paulo; daí pula para o Palácio do Planalto, onde foi coroada Rainha da Reforma Agrária por Jango. Dia seguinte ao da coroação é detida em ato público em São Paulo e durante seis meses fica em cativeiro, imposto pela ditatura militar, de onde consegue fugir e ser acolhida em uma Diocese paulista. Sua beleza faz dela modelo em desfiles de moda em São Paulo, mas depois se torna empregada doméstica. Em Mato Grosso do Sul volta à origem campesina, primeiro acampada, depois assentada em Ivinhema (Assentamento São Sebastião). Dona Januária é uma mulher obstinada, corajosa, mas submete-se à de um marido grotesco. Ao separar-se do marido torna-se uma mãe zelosa, mas quando foi proprietária de um bar em Dourados chegou a alcovitar uma menina. A história de vida de Dona Januária é repleta de ambiguidades e de contradições, também de lacunas, tantas que o leitor se surpreende a cada página procurando completar a história com a sua própria imaginação. Mérito do autor. Em resumo, o livro é o retrato da vida de uma mulher forte, mulher de luta, mas de uma mulher trágica.