A atual crise do capitalismo está deixando o mundo todo com a pulga atrás da orelha. Os Estados Unidos ainda continuam em ressaca pós 2008, a Europa não sabe ou não tem mais como ajudar a Grécia e os gregos voltam às urnas no próximo dia 17 sem saberem exatamente o rumo a ser tomado. Exceto a Alemanha que respirou sem aparelhos no último trimestre o restante da Europa, se não está encontra-se próximo à UTI, pois que a grande maioria dos países europeus teve crescimento inferior a 1% no PIB.
Fora da Europa o Brasil sofreu o maior baque com crescimento de 0,8% no último trimestre. O governo Dilma, por sua vez não está dormindo em berço esplêndido e têm agido com firmeza e presteza, tomado medidas para socorrer a economia. No entanto as medidas tomadas pouco diferem daquelas que o governo Lula lançou mão em 2008 e que deram resultado positivo fazendo com que a crise internacional daquele ano não passasse de uma “marolinha” aqui no Brasil, no dizer do próprio Lula. Ou seja, mais uma vez o ministro Guido Mantega incentiva o consumo, auxiliando principalmente a indústria automobilista para diminuir o estoque de carros estacionados nas montadoras.
A grande novidade foi a estocada nos bancos com a diminuição drástica dos juros. Na verdade a faca foi de dois gumes, a diminuição dos juros foi feita para incentivar o consumo, mas com certeza atingirá a lucratividade dos bancos transferindo possivelmente para a indústria a exorbitância dos lucros dos banqueiros.
Talvez o conjunto de medidas dê certo, mas me parece pouco. O endividamento das famílias brasileiras está elevado e a inadimplência cresce. O tráfego já não flui de tanto carro que se compra, mas os investimentos do governo e da iniciativa privada decrescem. A iniciativa privada não investe por temer a retração ainda maior do consumo, o governo por sua vez, cercado por uma burocracia interminável – mas necessária - de ibamas, tribunais de contas, ministérios públicos e um arcabouço de leis que o engessam, não consegue investir mesmo havendo caixa para isso.
Por outro lado o funcionalismo público vai à greve buscando a reposição de seu poder aquisitivo achatado em torno de 10 a 11% nos últimos anos. O governo reluta em atender, o que não deixa de ser uma contradição, pois o aumento da massa salarial aumentaria o consumo. De qualquer forma tem lá as suas razões, poderia ficar sem caixa para pagar a folha se houvesse o agravamento da crise, que tem na Grécia apenas a ponta de um grande iceberg.
Embora tudo o que está acontecendo seja perfeitamente compreensível a solução é difícil. A explicação está nas contradições internas de um modo de produção - o capitalista - que precisa que a população consuma mais e mais e sempre mais para poder subsistir. O capitalismo precisa do consumo tanto quanto o Império Romano precisava que as suas legiões fizessem mais e mais conquistas para aumentar os escravos e consequentemente a produção de alimentos. Com a Paz Romana, com o esgotamento das conquistas esgotou-se também o regime. No capitalismo as legiões são substituídas pelo consumo. Se não houver consumo não há capitalismo. Eis a questão! Mas e a solução?