Somos unânimes em reconhecer que não há mais choro e nem vela no Campeonato Brasileiro de Futebol, caiu para a segunda divisão, caiu. Não tem mais aquele jeitinho, por exemplo, de quando, em 1998, o Fluminense caiu para a terceira divisão e foi “convidado” pela CBF a figurar novamente na série A. Agora as coisas estão mais bem organizadas, muito embora a corrupção, o compadrio, os acertos, as bandalheiras das arbitragens, ainda sejam escancaradas e não devidamente expostas pela mídia subserviente aos contratos bilionários com a Confederação de Futebol. Repórteres, locutores, comentaristas, não são profissionais alienados, ao contrário, são muito espertos, por isso se calam diante de muitas coisas para manterem os seus empregos. Eles têm conhecimento dos bastidores, dos conchavos, mas sabem que somente algumas poucas, quando não uma única emissora, pode lhes oferecer o emprego porque elas são as detentoras dos direitos de transmissão.
Mas, enfim, evoluímos ao menos no que diz respeito às punições aplicadas aos clubes cujas torcidas não se comportam convenientemente, às tabelas e aos critérios de acesso e descenso de uma divisão para outra da organização futebolística nacional. A nossa dúvida é saber: por que um time como o Palmeiras, com a quarta maior torcida do Brasil, pode ser ao mesmo tempo campeão da Copa do Brasil e rebaixado para a Série B do Campeonato Nacional.
Poderíamos entender o rebaixamento do Quebra Dedos Futebol Clube ou do Esporte Clube Arranca Touco, para esses teríamos explicações claríssimas, pois falta-lhes grandes patrocinadores, falta-lhes elenco, centros de treinamentos, falta tudo o que uma equipe precisa para estar bem colocada entre a elite do futebol brasileiro. Mas, e o Palmeiras?
O Clube alviverde tem tudo o que um clube grande necessita. Um bom centro de treinamento, bons patrocinadores, grande torcida, uma tradição de quase cem anos, uma história gloriosa. E então?
Falta ao Palmeiras, democracia, que impede os sócios de escolherem dirigentes melhores. A falta de dirigentes capazes faz com que o time seja desprestigiado pela mídia. Um time sem prestígio não tem um único comentarista que seja seu torcedor, ao contrário. Por outro lado essa incapacidade política dos dirigentes permite que outros clubes ocupem diretorias importantes da CBF, ficando fora do poder de decisão e à mercê de más arbitragens, por exemplo. Três ou quatro famílias macarrônicas se digladiam para ocuparem o cargo máximo da direção esmeraldina, e dentro dessa disputa quase fratricida, muitas vezes são eleitos pessoas completamente incapazes. Contursi, Della Monica, Buluzzo e por fim, Tirone, esse último quarteto de presidentes foi afundando o time de tal forma que um dia a bomba estouraria. Estourou nas mãos de Tirone, o mais incapaz de todos e largamente responsável pela queda, um banana de pijama, como é chamado, mas as administrações anteriores não foram dignas da história do Palmeiras. De Beluzzo se esperava muito, eu, particularmente, me surpreendi com a sua inabilidade administrativa. De Tironi não se esperava mesmo nada, então por que foi eleito? Qual a “famighia” que o apoiou?
Em janeiro tem eleição para a nova diretoria. O que se espera é que a torcida palmeirense, as organizadas principalmente, pressionem democraticamente para que haja candidatos comprometidos, capazes. Nada adianta ameaçar presidentes (foram eleitos) e jogadores (foram contratados por uma diretoria), nada adianta depredar estádios (eles não têm sentimentos). Essas atitudes são atos vandálicos, indignos de um amante do esporte. O verdadeiro torcedor é aquele que sabe comemorar comedidamente as vitórias de seu clube, alegrando-se, pulando e dançando, mas sem tripudiar os adversários e sabe chorar aberta ou no recôndito da alma as suas derrotas.
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Vamos enfrentar 2013, a segundona e a Libertadores. Busquemos ser bicampeões nas duas competições, para podermos comemorar em 2014 o nosso Centenário. Avanti verdão!