Dificilmente escrevo uma crônica dirigida em especial a alguma pessoa. De memória lembro-me de ter me referido a Emmanuel Marinho, nosso poeta maior, a Dona Ercília Pompeu de Toledo, uma pioneira, verdadeira enciclopédia da história do cotidiano douradense e Alaércio Abraão, figura impoluta que amava Dourados tanto quanto dona Ercília.
A crônica de hoje dedico-a ao jornalista Nicanor Coelho, personagem um tanto irreverente, senhor de um temperamento que nem sempre agrada a gregos e troianos, mas uma pessoa com propósitos admiráveis, um sonhador-guerreiro que bem poderia ter a sua história contada no livro “Heróis Dourados”, não fora ele próprio o autor.
Em um trabalho de cadastramento de livros publicados em Dourados que estou desenvolvendo e postando no site www.biasotto.com.br no link “livros douradenses” faço uma breve resenha sobre o último lançamento de Nicanor Coelho, com os seguintes comentários:
“Heróis Dourados foi lançado no dia 12/12/12, no espaço Kikão restaurante, juntamente com outros três livros já cadastrados nesse site –refiro-me ao site acima citado - (Prosa Douradense, Uma luz na escuridão e Lueji). Fui ao evento imaginando que somente Nicanor Coelho estivesse lançando o seu livro e, confesso, compareci muito mais em consideração ao autor do que propriamente pelo título do livro de Nicanor Coelho, quer dizer fui meio a contragosto pois essa história de heróis é coisa superada. Imaginava que o livro iria tratar, como é comum quando ocorrem esses títulos, de figurões da cidade, mas para minha surpresa e encanto a obra traz histórias de gente do povo, homens e mulheres, na maioria dos casos humildes, que dedicam ou dedicaram grande parte de suas vidas em prol de ideais humanísticos. Algumas das histórias são trágicas, outras demonstram a luta árdua, constante e duradoura, mas nem sempre coroada de êxito. Isso talvez seja o fator que justifica o título de heróis, pois os personagens denotam a persistência, a tenacidade, a fibra de pessoas que embora não tenham conseguido alcançar a riqueza material ou a glória da vitória em suas lutas, jamais desistiram ou se arrependeram por terem lutado”.
A resenha é curta, apenas uma nota informativa sobre a obra e não uma resenha crítica, essa sim seria mais profunda e, por via de consequência, mais longa. Nessa crônica pensei em imitar Nicanor e fazer dele um dos “heróis dourados”, o que pode ter duplo sentido, como o título do livro, ou seja, os heróis podem ser de Dourados ou, por valerem ouro, serem dourados. Mas como as crônicas têm as suas limitações espaciais, acrescento apenas que o livro merece ser lido pelos douradenses para saberem que ao lado dos homens públicos que deram nomes às ruas e logradouros, estiveram também pessoas humildes, mas capazes de atos edificantes, não obstante não ocuparem cargos elevados ou terem posses materiais que pudessem utilizar para realizar boas obras.