Pedal pela vida e a duplicação da Guaicurus. O progresso 4/05/2013
Em julho de 1997 quando o governo ainda nem cogitava em reduzir o IPI) dos automóveis, escrevi uma crônica na qual dizia que o carro ainda iria se tornar o inimigo número um do homem e que enquanto o Brasil incentivava a vinda de mais fábricas de carros, a Inglaterra, mesmo implantando a política neoliberal não se descuidava do metrô de Londres e contratava milhares de funcionários para ampliar os 420 quilômetros existentes àquela época.
Decorridos apenas dezesseis anos e eis que as minhas previsões tornam-se concretas, nas grandes capitais já está difícil tirar o carro da garagem devido o fluxo de veículos nas ruas e mesmo em cidades de porte médio, como Dourados, estacionar próximo ao local onde se deseja torna-se extremamente difícil e nem o parquímetro inibe o motorista de irem de carro para o centro da cidade. Também os estacionamentos das grandes empresas vão se tornando pequenos diante do contínuo aumento da frota.
Por seu lado, o crédito fácil, ao mesmo tempo em que leva ao extremo essa fase do capitalismo financeiro, entope as ruas com carros e motos. Motos! Ainda não as havia mencionado, mas elas levam ao limite o uso de veículos motorizados para o transporte individual. Já não há também mais onde estacioná-las e vai ficando difícil diminuir o número de acidentes que sofrem ou provocam.
Talvez por essas razões, ou porque pedalar signifique saúde, as cidades modernas estão adotando cada vez mais as ciclovias e implantando bicicletários públicos para que os cidadãos possam locomover-se com segurança e, conforme o caso, mesclar o seu percurso com o uso da bicicleta e do metrô, uma vez que pode pegar uma bicicleta aqui e deixá-la acolá. No Rio de Janeiro, pelo celular e com taxa de dez reais ao mês podemos alugar não apenas uma bicicleta em si, mas a possibilidade de utilizarmos quantas vezes quisermos as bicicletas com marchas colocadas à disposição nos bicicletários da cidade.
Não é diferente em Paris, embora a capital mundial da bicicleta seja Copenhagen. Ou seria Amsterdã, ou ainda Pequim? A verdade é que a bicicleta ganha espaços em todo o mundo, as ciclovias proliferam, ruas inteiras são destinadas ao uso exclusivo de ciclistas, semáforos regulam o fluxo e pontes especiais são construídas. Bom para os motoristas de veículos motorizados com o alívio do tráfego, melhor ainda para os ciclistas que pedalam sem ter que engolir a “fumaça desgraça”, como disse Chico Buarque. Na mencionada Copenhagen, para se ter ideia, os ciclista se deslocam à velocidade de 20 km/hora, em São Paulo os motoristas locomovem-se a 13 km/hora.
Em Dourados, onde existe uma cultura ciclística desde os tempos da Colônia Nacional Agrícola e grande parte dos trabalhadores se locomove pedalando, não poderia ser diferente. As ciclo faixas que resistiram ao ímpeto destruidor do governo Ari e à falta de visão de boa parte da população, continuam oferecendo segurança aos milhares de cidadãos que as utilizam e a tendência parece irreversível. Inclusive agora, em meados desse mês de maio, o governo do estado deve fazer o lançamento da obra de duplicação da Av. Guaicurus e ao seu lado deve vir o projeto de implantação de moderna ciclovia. Pedalar entre dez a quinze quilômetros para os jovens universitários, militares e trabalhadores da região não deverá ser um martírio e sim uma opção saudável e ecologicamente correta. Sem se falar na opção segura que esse percurso oferecerá aos que pedalam por esporte.
Com toda a certeza não viverei para ver a Av. Marcelino Pires, desde o seu prolongamento até o início da Guaicurus, e daí até a Cidade Universitária ser transformada em um grande calçadão tendo ao centro os trilhos do “trem universitário”, pois além de recursos falta visão. Mas acredito que a duplicação da Guaicurus possa ser comparada às vias suíças, como afirmou que o será o governador de nosso estado. Quem sabe até com um pouco de treino eu, passado dos 65 anos de vida, possa pedalar nesse percurso. O “pedal pela vida”, que reuniu mais de 350 ciclistas no primeiro de maio, com percurso de aproximadamente 15 quilômetros e que foi também em prol da duplicação da Guaicurus aguentei bem, não custa sonhar. Agora, enquanto aguardamos a duplicação e a ciclovia, não custa cumprimentar os participantes, os promotores e os que fizeram a segurança do evento.