Muito bem, juro de pés juntos e mãos postas que desejo acreditar piamente que seja expressão da verdade aquilo dito pelo prefeito Murilo quando do lançamento do “MS Forte II”: “que ficou satisfeito com o anúncio feito pelo governador, de obras e serviços, mas ressaltou que vai trabalhar para que a UEMS tenha também seu curso de Medicina em Dourados” (Dourados News, 16/08/2013, 14 hs.25min).
Por que o prefeito fez essa declaração?
Temos três hipóteses principais: primeira, Murilo ainda não conseguiu implantar o curso de Medicina na UNIGRAN o que particularmente acho lamentável uma vez que o Brasil precisa de médicos; segundo, Murilo sentiu o drama de ser apunhalado pelo governador que, ao invés de implantar o curso de medicina na sede da UEMS, está dando um passo gigantesco para transferir a reitoria para Campo Grande ao anunciar a criação desse curso para a capital; terceiro: Murilo realmente ama Dourados, sente que somos uma cidade universitária e deseja consolidar essa tendência.
Das palavras à ação concreta qual a distância? Por um lado palavras são palavras, nada mais que palavras, por outro, a palavra é a indutora das realizações: e Deus disse faça-se a luz e a luz se fez. São palavras!
Particularmente creio que Murilo sentiu a punhalada, compreendeu que mais uma vez André agiu contra Dourados, mas o que fará se deve a sua eleição à participação de André, dentre outros. Quero ver as suas ações práticas.
Vamos à realidade; os cursos de medicina por um lado são poços sem fundo dentro das universidades, estão dentre os que consomem mais verbas e arrebatam maior poder, por outro lado são pontas de lança na geração de perspectivas para o crescimento dos centros onde estão inseridos. Quando criamos o curso de medicina na atual UFGD o então reitor Jorge João Chacha e eu tínhamos plena consciência de que a UFMS não suportaria dois cursos de medicina e que estávamos dando um passo largo em direção à UFGD. Agora, a atual reitora de UFMS que é de Três Lagoas, deve saber exatamente que ao criar para lá um novo curso de medicina estará emancipando o campus de Três Lagoas para ser transformado em Universidade autônoma, com fizemos com Dourados.
O senador Delcídio não faria nenhuma desfeita às demais regiões do estado se envidasse os seus melhores esforços para criar também em Corumbá um curso de Medicina e, por via de consequência, transformar o campus da UFMS de Corumbá em Universidade Federal do Pantanal. Teríamos então a UFMS, a UFGD, a Universidade do Bolsão e a Universidade do Pantanal, todas federais. Quanto a UEMS, com os esforços de Murilo, criaria o curso de medicina em Dourados e, como não suportaria dois cursos de medicina, o governo André criaria a Universidade Estadual de Campo Grande que assumiria os campi do norte do estado enquanto a UEMS, com sede em Dourados, assumiria apenas os campi do sul desse que deveria e poderá ainda ser o estado modelo da federação.
Bem, Murilo já disse muita coisa que não fez. A Secretaria de Educação seria do PT, o Projeto Cidade Educadora seria alavancado. Eu acreditei e a pedido do deputado Tetila fui lá levantar o meu crachá em favor do apoio do PT a Murilo, embora tivesse dito na ocasião que água é óleo não se misturam. De qualquer forma, como otimista inveterado que sou vou acreditar que Murilo haverá de concretizar a criação do curso de medicina para a sede da UEMS que é, por enquanto, em Dourados.
Espero que imediatamente convide o reitor da UEMS para tratar do assunto. Mas que não fique somente nisso, que reúna as 72 entidades que apoiaram o Projeto Cidade Universitária de Dourados e que aglutine forças para essa empreitada.
Estou torcendo, mas tenho um pouco de São Tomé. Só acredito vendo. Como dizia minha avó em seu italiano macarrônico: “São Thomazo, non crede fino a che infila il suo naso”.