O IBGE divulgou dados relativos à economia brasileira que superaram as mais otimistas das expectativas. Ao romper a barreira dos 200 milhões de habitantes e trazer para o mercado em apenas um ano mais de 7 milhões de consumidores, os industriais e comerciantes sorriram às escâncaras. O mesmo Instituto mostrou ainda que o comércio cresceu 1,9% (referência julho), melhor resultado desde janeiro de 2012. Em relação à economia de modo geral o Brasil cresceu 1,5% no último trimestre e 3.3% nos últimos 12 meses. Poderia ter crescido mais, no entanto duvido que alguém esteja querendo mudar-se para a Grécia, Portugal, Espanha, ou quaisquer outros países em crise.
Quanto ao Índice de Desenvolvimento Humano, não obstante as enormes desigualdades e necessidades que temos a suprir, o Brasil apresentou números encorajadores. Nas últimas duas décadas pulou de esquálidos 37% de crianças entre 5 a 6 anos que frequentavam escola para 91% e os jovens concluintes do ensino fundamental saltou de 20% para 57%.
Dourados, não obstante a ruptura artuziana segue o mesmo ritmo brasileiro. Ultrapassando os 200 mil habitantes reafirma-se como metrópole regional e atrai investimentos em todos os setores da economia, gerando empregos, renda e formação educacional em todos os níveis.
Nossas Universidades ultrapassam a casa dos 20 mil alunos, destacando-se nesse contexto a atuação da UFGD que por estar ainda em fase de implantação edifica obras e contrata professores e funcionários em todos os níveis. E não fica por aí, juntamente com a UEMS (as particulares estão mais voltadas para o ensino) alavanca a pesquisa e a extensão universitária que, por via de consequência, reflete-se no desenvolvimento regional.
Temos, portanto, para o Brasil em geral e para Dourados em particular, um futuro promissor e, pelos dados do IBGE a indicação de que não haverá retrocessos no avanço positivo de nossa economia.
Não obstante, temos pela frente desafios enormes em todas as áreas. Na educação, embora tivéssemos a criação de novas universidades federais e da implantação do PROUNI (Programa Universidade para todos, que concede bolsas aos alunos de Universidades particulares que necessitem), ainda precisamos de profissionais com ensino superior para dar sustentação técnica ao avanço econômica que estamos experimentando. Faltam centros de educação infantil, falta a implantação do ensino integral. Enfim, precisamos para os próximos dez anos milhares de professores, médicos, engenheiros, técnicos nas mais diversas áreas que nem mesmo a implantação do ensino técnico dará tempo para suprir.
Por seu lado a população vivendo em uma democracia sem precedentes no Brasil, anseia por mais democracia, tendo recebido melhor formação escolar exige direitos outrora ignorados, clama pelo fim das desigualdades e da corrupção. Temos enfim em nosso país uma população que tem voz.
Voz conquistada ao longo dos anos, não obstante os meios de comunicação terem apoiado movimentos reacionários. Nesses termos cabe-nos até elogiar o fato de a Rede Globo (mesmo que tardiamente e após as manifestações de julho) reconhecer o seu erro em ter dado apoio à ditadura militar. Reconhecendo que errou é bem provável que não repita o erro e que não tenhamos mais os horrores de ditaduras. É necessário também elogiarmos atitudes como a dos médicos cubados que declararam ao desembarcar no Brasil que: “nós somos médicos por vocação e não por dinheiro. Trabalhamos porque nossa ajuda foi solicitada, e não por salário, nem no Brasil e em nenhum lugar do mundo”. Enfim, é necessário elogiarmos a todas as instituições e indivíduos que percebem com clareza que o bem público sobrepõe-se às ganâncias pessoais.
Diante desse quadro o poder público e as forças vivas de nossa cidade e de nosso país têm o dever de queimar etapas para oferecer ao cidadão os direitos que foram postergados ao longo dos anos. Nesse sentido trago à tona o artigo 20 da Carta de Princípios das Cidades Educadoras: “A cidade educadora deverá oferecer a todos os seus habitantes, enquanto objetivo cada vez mais necessário à comunidade, uma formação sobre os valores e as práticas da cidadania democrática: o respeito, a tolerância, a participação, a responsabilidade e o interesse pela coisa pública, seus programas, seus bens e serviços”.