A primeira Academia de Letras surgiu em Paris. Grande novidade! Não poderia ter sido diferente, a França foi o berço cultural que influenciou todo o Ocidente após o declínio do Império Romano. Influenciou inclusive o Brasil, para o nosso bem, inclusive culturalmente com os Centros de Cultura Francesa. Infelizmente nos últimos tempos o poderio econômico é quem define os costumes por intermédio de filmes, de produtos industrializados, da Língua, assim como fora o Grego e depois o Latim na Antiguidade. A diferença fundamental é que hoje as bases não são culturais, mais econômicas. Em outras épocas, o poderio econômico era inglês, mas o cultural francês. O poder econômico não prevalência e a verdade é que coube à França criar a primeira Academia de Letras. Isso no longínquo ano de 1570. Aproximados trezentos anos depois, mais precisamente em 1896 criou-se a Academia Brasileira de Letras cujo primeiro presidente foi Machado de Assis. Particularmente acho maravilhoso Machado de Assis ter sido o primeiro presidente de nossa Academia. Sem duvida Machado é o maior de nossos escritores, mas como normalmente os grandes nomes da literatura, da política, da cultura, das artes, os grandes líderes enfim, são normalmente relegados, não seria de admirar que um nome qualquer tivesse tido esse mérito. Machado de Assis mereceu.
O modelo da Academia Brasileira de Letras, e do mundo inteiro, segue o mesmo padrão da Academia francesa, com 40 cadeiras. Dourados não é diferente. Fossem mais o número de cadeiras e de interessados poderíamos ter centenas de acadêmicos. Dourados não é a Terra de Antonio João, mas a Terra de Todos os Povos e a Terra dos Livros. A ADL tem quarenta cadeiras, nada luxuosas, sem chá das cinco, mas com reuniões muito proveitosas e um ou outro refrigerante após muita conversa sobre literatura, música, artes em geral.
Criada em 15 de setembro de 1991 (22 anos nesse mês) tem a sua sede na Casa Arandu (que significa sabedoria), localizada no Parque dos Ipês, cedida pela administração de Humberto Teixeira e mantida por todos os prefeitos que o sucederam. No Estatuto da ADL consta que os seus objetivos são: a) Incentivar o conhecimento e a difusão do idioma nacional, b) Fomentar o interesse pela literatura nacional e regional, c) Promover o estímulo à literatura, a produção de livros e o incentivo à leitura, d) Buscar o congraçamento, a associação e a maior aproximação entre os representantes da cultura nacional, estadual e municipal e com a sociedade de uma maneira geral.
Claro que, não sejamos hipócritas, existem os Acadêmicos que não têm outro objetivo do que o de pavonear-se (ostentar-se). São aqueles que escrevem uma obra e nunca mais aparecem para cumprir aquilo que consta do estatuto. Mas, deixa para lá, se contribuíram com alguma obra relevante é até justo que se pavoneiem.
Muito bem, mas eis que surge um legítimo homem de fronteira, chamado Brígido Ibanhens, autor de Silvino Jacques e de muitas outras obras que não se tornaram best sellers apenas e simplesmente porque o mérito não é dado a quem merece, mas aos que possuem melhor entrosamento com a grande mídia. Além de escrever boas obras Brígido teve a original ideia, fantástica e inédita ideia, de organizar a Academia Douradense de Letras Jovem. Tarefa nada fácil, mas ele persiste e a diretoria da ADL o apoia. Busca respaldo com os diretores de escolas. Eles são muito ocupados, e falo sem ironia. A verdade é que existem centenas de alunos nas escolas públicas e particulares possuidores de inteligência muito acima da média. Poderiam ser aproveitados. Deveria haver programas especiais para que esses alunos fossem os propulsores de uma Dourados ainda melhor. Esses alunos mais dotados provavelmente serão recrutados para os Estados Unidos, da mesma forma como fazem times de futebol, como Real Madri, Barcelona, e tantos outros que se arriscam a pagar salários para a família inteira de meninos brasileiros de dez anos que prometem ser craques. É lamentável não termos planejamento.
A Academia Douradense de Letras está de portas abertas. Literalmente das 7 horas da manhã às cinco da tarde, com uma biblioteca à disposição. É uma opção, apenas uma dentre centenas que poderiam ser abertas aos nossos jovens que precisam de um contraturno, já que não podem trabalhar antes dos dezesseis anos e que ainda é difícil implantar o ensino integral.