Bem, não foram exatamente essas, as palavras do título dessa crônica, aquilo que o meu amigo disse quando alguns professores estavam recebendo homenagens pelos serviços prestados à atual UFGD. Melhor idade? Soltou foi um palavrão!
Esse amigo sofreu apenas um deslocamento de retina, pelo que eu saiba, talvez tenha outros dissabores, afinal essa geração do finalzinho dos anos de 1940 e início de 50 tinha obrigação de fumar. Quem não fumasse era mariquinha, e mariquinhas àquela época não tinham as mesmas salvaguardas de hoje. Em consequência do cigarro, um amigo pouco mais velho teve um câncer na bexiga, outro, de minha idade, câncer de próstata. Estou feliz por ter apenas hiperplasia prostática.
Claro que não posso citar nomes, mas amigo já se aposentou por invalidez, outro teve câncer no cérebro, outro ainda - atleta maravilhoso - bom jogador de basquete e centroavante que faria inveja a Sócrates, sofreu infarto fulminante. Melhor idade?
Dia desses estive em Catanduva, lá no interior de São Paulo, de onde sai para vir a ser filho de Dourados. Um vizinho de meu pai que recentemente sofrera um grave problema cardíaco deixou em casa a esposa, sozinha e doente, para ir a um bailão. Fazer o que? Dançar. E se pintar um clima, será que deu um motel? Seria feliz por isso? Claro que hoje, segundo dizem, o Viagra faz milagres, mas um cardíaco não sofreria riscos de vida? Risco de se perder a vida?
Bom, mas estava falando de homens. Uma amiga teve crise dos quarenta. Chorou até. Imagina! Brevemente, com a expectativa de vida beirando os 130 anos, quem terá crise aos 40? Mulheres dos anos de 1940 e 50, estando ainda vivas, também têm os seus problemas: câncer de pele é frequente, pois era moda banho de sol, embora Celi Campello já cantasse que tomava banho de lua e ficava branca como a neve. Câncer de mama, de útero, filhos liberados, para a droga, para o sexo, para a opção por eles desejada e não imposta pela família, pois a liberação dos anos 60 (quando as mulheres nascidas em 40/50 estavam na flor da idade) trouxe-lhes filhos muito mais independentes do que a própria luta que fizeram para tornarem-se elas próprias independentes.
Depois dos sessenta anos, ou mesmo antes de completá-los, os idosos constituem grupos em grande parte chamados de “melhor idade” e as prefeituras organizam centros de convivência para pessoas idosas. A verdade é que o avanço das ciências médicas está aumentando a expectativa de vida. Por exemplo, a odontologia, oferecendo a terceira dentição, ou seja, com os implantes dentários, fez com que os idosos conseguissem se alimentar melhor, pois mastigar e ingerir os alimentos que antigamente os banguelas e os usuários de dentaduras não conseguiam, aumenta consideravelmente a possibilidade de se viver mais e melhor.
Em consequência do avanço científico, as doenças físicas vão sendo controladas. Apendicite já não mata e a peste negra praticamente está erradicada, assim como também a pólio, a (o) cólera; sem contar sarampo, catapora, rubéola e outros. O problema são os males da mente. A depressão, curável é verdade, deve ser o mal desse novo século. Quem aguenta esse capitalismo? Mas, e o Mal de Parkinson? E o Alzheimer?
Por falar nesse alemão, o Alzheimer, não é que em minha última crônica, publicada em “O Progresso” dia 4/11/2013, escrevi que Margareth Tacher fora primeira ministra alemã? Não foi por ignorância, mas por lapso de memória. Uma vez disse que o Burguês Fidalgo fora escrito por Brecht, quando na verdade foi escrito por Molière. Outra feita troquei Catão por Cícero. Agora, dizer que a dama de ferro era alemã, quem explica? Só a melhor idade.
Mas, enfim, a idade nos concede certos privilégios. A família ainda é a célula mais perfeita da sociedade. Possuí-la é uma dádiva. Os amigos, as homenagens, e até mesmo o respeito dos adversários, nos dão a certeza de que a melhor idade existe, mas que cabe a nós revisarmos os nossos textos, as nossas atitudes e, principalmente, compreendermos que a felicidade não está na riqueza material, mas no engrandecimento do espírito. Para mim, em particular, a melhor idade foi quando nasci, quando criança, quando adolescente, quando homem maduro e, agora, na velhice. Nós fazemos a melhor idade.