Os livros encantam. Seja pela beleza poética e literária, pelas lições de vida, pelo método rigoroso na busca da verdade. Encantam ainda porque antecipam o futuro (ficção científica), dão asas a nossa imaginação (os romances), ensinam-nos a superar obstáculos (autoajuda). Enfim, nos livros estão acumuladas as experiências humanas. E são tão ricas essas experiências que já não damos conta de saboreá-las todas. Sabemos cada vez mais do menos, ou seja, especializamo-nos em determinados assuntos e perdemos a visão do todo. Já se vão longe os tempos em que os sábios eram ao mesmo tempo escultores, pintores, filósofos, matemáticos, físicos, e por aí afora.
Não obstante, as maravilhas que os livros nos oferecem, eles estão se tornando obsoletos, e incluo aqui os e-books que, como os impressos, perdem lugar para a Internet. No corre-corre de nossos tempos o mais comum é nos comunicarmos com frases curtas. Mensagens com mais de dois parágrafos são consideradas enfadonhas.
As engrenagens severas do tempo devoram-nos e perguntamo-nos: para que ler obras volumosas se as encontramos resumidas? Esquecemo-nos de que em cada linha pode existir algo novo para o aprendizado. Mas toda época tem as suas singularidades. A nossa é a da pressa e objetividade. Não desprezo essa objetividade da comunição atual, mas prefiro os livros, eles, ao contrário dos e-mails e das mensagens em redes sociais, têm origem identificada e essa identificação dá-lhes um caráter de confiabilidade. Podemos gostar ou não de determinada obra, concordar ou não com os seus pressupostos, no entanto sabemos a sua origem. Até mesmo pelo nome do autor podemos identificar o seu matiz ideológico. Se o autor estiver ligado à direita, defenderá o liberalismo econômico, a não demarcação de terras indígenas, o agronegócio como a salvação da lavoura. Se for um autor de esquerda defenderá a interferência do estado na economia visando a igualdade social, dirá que os índios têm direito à terras onde viveram os seus ancestrais e que a pequena propriedade é mais produtiva que o latifúndio. Enfim, no livro o autor tem o direito e a liberdade de defender as suas ideias, mas sabe que deve responder por elas.
Na Internet temos dois vieses. Ao mesmo tempo em que nos são disponibilizados milhares de bons livros, revistas científicas e notícias postadas com seriedade por meios de comunicação idôneos, também somos bombardeados com artigos mentirosos, com o objetivo espúrio de enganar, principalmente o eleitor nesse ano de eleições no Brasil. Pior é que alguns artigos são tão bem engendrados que nem todos os internautas conseguem discernir o que tem de real e o que é enganoso.
Na eleição presidencial passada recebi um artigo bem elaborado com base em acontecimento verdadeiro, mas, no entanto, com detalhes mentirosos, apontando a presidente Dilma como assassina no soldado Kozel em ataque ao quartel onde esse soldado de 18 anos prestava serviço. O artigo era convincente, mas duvidei e (re)li toda a obra de Elio Gaspari para encontrar o relato desse evento e certificar-me da acusaão. Era mentira. Dilma jamais participou desse evento.
Nesse começo de ano inicia-se novo bombardeio. A Petrobrás vai falir após as eleições, o Brasil vai pro buraco, a presidente Dilma, se (re)eleita, vai perseguir e torturar os seus torturadores, enfim, vão acontecer coisas do arco da velha, como diria minha avó.
Essas “notícias” plantadas nas redes sociais e disseminadas na Internet como plumas ao vento, se lidas por alguém que consegue ter o discernimento para distinguir o que é trigo e o que é joio, tudo bem, mas ocorre que os mal intencionados sabem que muitas consciências ingênuas tomarão a mentira por verdade, especialmente quando ela for reproduzida ao estilo nazista de Goebbels, para quem uma mentira dita mil vezes acaba sendo tomada por verdade.
A Justiça Eleitoral aperta, mas parece não adiantar, assemelha-se ao caso da música de Zé Fortuna e Pitangueira, “Chica Constancia”, moça tão gorda que no dia do casamento cem metros de faixa não adiantaram, pois: apertava por cima, saía por baixo! // Apertava por baixo, saía por cima! // Apertava por trás, saía pa frente! // Apertava pa frente, saía pa trás!
Onde vamos chegar não sei.