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Como é sabido, temos Olimpíadas de dois em dois anos desde que a de Inverno foi instituída separadamente em 1986 pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). Nesse 2014 os jogos são realizados em Sochi
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Como é sabido, temos Olimpíadas de dois em dois anos desde que a de Inverno foi instituída separadamente em 1986 pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). Nesse 2014 os jogos são realizados em Sochi, na Rússia, e já estão sendo considerados os jogos mais caros da história. O custo impressiona, 50 (ou 51) bilhões de dólares, vinte e cinco vezes mais cara que a do Rio de Janeiro em 2007, que não chegou à casa dos 2 bilhões de dólares. Calcula-se que com 50 bilhões o Brasil deverá realizar a Copa do Mundo desse ano e a Olimpíada de 2016. Segundo o Estadão, o custo de Sochi representa cinco Copas do Mundo de 2014. A corrupção não é privilégio tupiniquim, essa praga alastra-se pelo mundo e prejudica, evidentemente, o povo. No entanto, embora a corrupção russa não nos afete diretamente, ela não deve servir como atenuante para a nossa. Mas, como já dizia minha avó, não se pode matar a vaca por causa do carrapato. Tanto os jogos Olímpicos quanto as Copas de futebol constituem-se em oportunidades para que os humanos possam demonstrar os mais belos movimentos e também os limites físicos do corpo. Combater a corrupção sim, é dever, acabar com os jogos e as copas não, essas atividades em si enriquecem, não empobrecem o ser humano. Particularmente lamento não poder ter acompanhado assiduamente aos jogos, mas do pouco que vi confesso minha admiração e espanto. O curling, que conheci na Olimpíada de 2012, parece inconcebível num primeiro instante. Ver os atletas fazerem deslizar pelo campo de gelo aquela pedra com cabo, que mais parece uma panela do que um instrumento de jogo, para fazê-la parar em um círculo, não é nada diante da rapidez e eficiência dos parceiros que, com rodinhos, vão limpando o caminho, enxugando o gelo, para obter sucesso no arremesso. O contraste, não menos absurdo, é ver os atletas descerem com esquis uma rampa e arremessarem o corpo para o ar, verdadeiro voo sem asas, a uma velocidade próxima aos 95 km/hora. Talvez por não termos neve, esses esportes nos impressionam tanto, as corridas em pistas de gelo ou de neve, a habilidade, a força, tudo é muito interessante, mas talvez o mais belo desses jogos estejam concentrados na patinação artística. Aí é que se dá um verdadeiro encontro entre fadas e bruxos. Os casais deslizam pela pista de gelo com tanta graça e harmonia que fico boquiaberto perguntando-me: como pode? As atletas bailarinas são alçadas ao ar e seguras por uma única mão do parceiro que desliza como se estivesse carregando uma pluma. E são tantas e tão difíceis as acrobacias que se sucedem que ficamos boquiabertos e lamentamos as quedas, principalmente quando se dão em sequências de menor importância. No dia 12 do corrente, assisti à disputa de medalhas dessa modalidade que consagrou com ouro e prata duas equipes russas. Mas quanta maldade a minha, lembrei-me de que no dia seguinte estava marcado um encontro entre a presidente Dilma e o governador Puccinelli. E o que me veio à cabeça foi a possibilidade da constituição de um par Dilma/André para a patinação artística. Fechei os olhos e imaginei a cena. André, ainda no aquecimento, questionando Dilma do porquê a agenda ser logo num dia 13, o número do PT. Dilma sorriu e desculpou-se, muito mais por temer uma represália quando fosse alçada do que propriamente por sentir-se na obrigação de desculpar-se. Começa a música e imagino uma mudança nas regras, a dama é quem deveria alçar o parceiro. Então no embalo da dança, Dilma pergunta se não fora o governador quem a elegera como fada madrinha. Foi a vez de André sorrir e desculpar-se. E antes de se iniciarem os movimentos mais difíceis o casal rodopiava ao mesmo tempo em que em minha imaginação, o par dialogava com certa rispidez, embora com sorrisos, mesmo que mal disfarçados. Eis o diálogo, direto, sem travessões. Não me parece justo que se faça oposição a uma fada madrinha. Ora, vou apoiá-la na (re)eleição. Então candidate-se ao Senado na chapa do Delcídio. E que faço com a família Trad? Mas você já não disse que quem manda lá é você? Realmente ninguém vai me forçar a nada, só sairei candidato ao senado se minha família e o povo exigirem. Minha imaginação poderia levar o diálogo adiante, mas havia terminado o intervalo e o casal russo, que acabou ganhando a medalha de ouro, entrou em cena desviando os meus pensamentos para a maravilhosa apresentação.
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