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Buscar na história a compreensão de nossa situação atual é a maneira inteligente de se evitar erros e retrocessos. Faço essa introdução para falar sobre a organização da categoria dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul
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Buscar na história a compreensão de nossa situação atual é a maneira inteligente de se evitar erros e retrocessos. Faço essa introdução para falar sobre a organização da categoria dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul e a sua importância para o ensino. Se temos atualmente uma categoria organizada, capaz de defender os interesses dos trabalhadores em educação, mas capaz também de perceber que ao trabalharem com as nossas crianças e jovens, estão semeando o nosso próprio futuro, devemos isso, em larga escala, a uma trajetória de 35 anos. Fundada em 9 de abril de 1979 com o nome de FEPROSUL, depois transformada em FETEMS a Federação dos Trabalhadores em Educação nasceu de uma aliança antagônica tendo de um lado uma vanguarda de professores progressistas e de outro as péssimas condições de trabalho daquela época. Para se ter uma ideia, em 1979 nosso Estado tinha cerca de 10 mil professores, apenas mil concursados, os demais contratados precariamente. A jornada de trabalho era de março a dezembro, portanto férias e décimo terceiro inexistentes. O magistério era tido como um sacerdócio, não como uma profissão. Inclusive, boa parte dos professores tinha essa concepção, o trabalho ou era por ideal ou por simples complementação do salário familiar. Para o exercício desse “sacerdócio” as nomeações eram feitas pelos diretórios de partidos políticos, ou diretamente pelos políticos que levavam as nomeações à capital. A ausência de consciência de classe, coisa que até hoje prevalece em boa parte do magistério, era superada pelas condições precárias de trabalho na época. Não era raro professoras manifestarem-se publicamente dizendo que não podiam participar do movimento porque o marido não permitia. Mas esses mesmos maridos deixavam que as suas esposas trabalhassem aos sábados e domingos, realizando festas com o objetivo de angariar fundos para manter as escolas em funcionamento. Nessas festas escolares, boa parte do lucro provinha da venda de bebidas alcoólicas. Belo exemplo! Com a organização da categoria houve muitos avanços. Os concursos públicos se tornaram mais frequentes, embora ainda insuficientes; os salários são pagos em dia, embora continuem minguados; os secretários de educação dos municípios passaram a ser escolhidos dentro da categoria, embora em alguns deles tenha havido retrocesso; as escolas passaram a ser reformadas pelo próprio poder público; os professores convocados são classificados por pontuação, com a verificação de retrocessos também nesse sentido. Mas, enfim, a melhor qualificação dos trabalhadores em Educação e as melhores condições de trabalho estão dando ao ensino público uma sensível melhoria de qualidade. Esses retrocessos acima enunciados precisam ser analisados pelos respectivos sindicados locais e pela própria FETEMS. Duvido muito que a OAB aceitaria um professor para ser o advogado geral de um município ou que os contabilistas, por exemplo, não se contrariassem se um professor fosse nomeado contador de uma prefeitura. Mas não basta apenas a luta da categoria para melhorarmos a qualidade de nosso ensino. O poder público tem que desenvolver ações mais contundes para que possamos formar cidadãos. A sociedade tem que estar alerta. E mesmo as categorias que matriculam os seus filhos em escolas particulares devem ter consciência de que a melhoria na qualidade do ensino público beneficia a todos. Mesmo os grandes empresários deveriam olhar com mais atenção para o ensino público, até mesmo por uma questão de ordem prática, ou seja, a boa formação educacional leva à boa qualificação de mão de obra. A fundação da atual FETEMS deu-se em abril. Confira em nosso site (www.biasotto.com.br link livros, “O movimento reivindicatório...”): “Sete de abril de 1979. Quem apenas leu este capítulo, sabe como foi fundada a FEPROSUL (hoje FETEMS); mas, somente quem participou de tal fundação pôde sentir toda a tensão, o arrebatamento dos espíritos e a emoção, indescritíveis, daquela reunião” Desconheço o fundamento para os 35 anos ser comemorado em 3 de março, mas a data em si não é o mais importante. Importante é compreendermos e parabenizarmos a FETEMS e todos aqueles que ao longo dos últimos 35 anos acreditaram na educação como instrumento de libertação.
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