Em Dourados, as rotatórias foram implantadas na gestão Braz Melo, entre 1997 e 2000. Elas reuniam dois fatores importantes, a regulação do trânsito e o embelezamento da cidade. A equipe de Braz acrescentou-lhe nova função: a de orientação de localização. Sendo Dourados uma cidade plana, planejada, mas sem referências topográficas, elas deveriam servir também para tal fim.
Mas, sempre tem um “mas”, as rotatórias foram projetadas para cidades com cerca de 60 mil habitantes, na época em que os carros eram privilégio de poucos. Dourados cresceu, tornou-se uma metrópole regional e, por via de consequência, aumentou o tráfego de veículos, tanto dos moradores locais quanto dos visitantes, afinal tornou-se importante centro comercial, industrial e médico-hospitalar. Acrescente-se ainda a esses fatores a decisão governamental de fazer face à crise mundial do capitalismo incentivando a indústria automobilística, fazendo crescer ainda mais os veículos em circulação. Por esses fatores, as rotatórias passaram a ser consideradas obsoletas pelos responsáveis pelo trânsito, ao menos como instrumentos reguladores de tráfego.
E não é de hoje, já na administração Tetila, o superintendente de transito, OslonEstigarribiaensaiava a substituição das rotatórias por semáforos, haja vista a demolição de uma delas no cruzamento entre as ruas HayelBonFaker com a Weimar Goncalves Torres.
Formado em geografia, o que lhe confere amplo conhecimento de planejamento urbano e assessorado por engenheiros de trânsito contratos para solucionar problemas de tráfego, Oslon acreditava ser possível solucionar o problema dos congestionamentos com essa substituição acima mencionada.Naquela época sugeri que as rotatórias não fossem destruídas, mas que os semáforos fossem adaptados a elas de modo que ao menos fosse preservado o seu núcleo central. Tinha visto algo criativo nesse sentido em uma cidade no Norte do Paraná, se não me falhar a memória, em Maringá. Lá também as rotatórias haviam perdido a sua função de regular o tráfego, mas com a adaptação de semáforos, mantinham-se imponentes, como fonte de embelezamento da cidade.
Com a advento da administração de Ari Artuzi, se as ciclos vias foram quase totalmente destruídas, as rotatórias foram preservadas, mas atualmente, a administração de Murilo, tendo o matemático Walter Hora no comando do trânsito, a política adotada é a de substituição de todas as rotatórias por semáforos.
A proposta é fazer de Dourados uma cidade do carro, onde o trânsito flua sem engarrafamentos. Muitos pensam que isso significa termos uma cidade moderna. Tudo tem que ser muito rápido. Rapidamente, temos que atravessar a rua, rapidamente temos que dirigir os nossos veículos, fazer as nossas compras e até mesmo comer. É a Era do fastfood, afinal se não comermos rapidamente perderemos a hora, empataremos a fila.
Até mesmo para tomarmos um sorvete, haveremos de olhar o ambiente, pois muitas sorveterias não dispõe mais sequer de mesas e cadeiras, precisamos comprar e sair para não ocuparmos espaço.
Não é diferente com outras cidadebrasileiras do porte de Dourados. E quem se importa com o estresse? O cidadão chega do trabalho e ainda tem tempo para um banho antes da novela da Globo durante a qual faz um lanche, rápido, é obvio. Depois, bem, depois um comprimido de Rivotril, um dos medicamentos mais vendidos no Brasil, para uma boa noite de sono.
Para moderno cabem outras definições, mas a prevalecer o conceito que se está adotando, daqui mais alguns anos as ruas terão que ceder espaço para as avenidas. De duzentos logo vamos para trezentos, quatrocentos mil habitantes. Para o nosso próprio bem, com a tendência atual de redução da natalidade, é provável que nãochegaremos facilmente a casa dos milhões.
É possível ser feliz em uma megalópole? E os semáforos resolverão o problema do trânsito? Eis as questões. Em cidades médias da Europa existe uma tendência de se trocar o fastpelo slow. Comer devagar, trocar o carro pela bicicleta, optar por uma paisagem menos agressiva do que a oferecida pelo concreto e pelo asfalto.
Que vida agitada! E eu, com os meus botões, lembro-me dos dizeres de minha avó: piano piano se va lontano, forte forte se va a la morte (devagar se vai ao longe, depressa se vai a morte).