O dia 15 de julho de 2014 entra para a história econômica pela criação de um novo banco. O evento ocorreu em Fortaleza, com a participação de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, os BRICS. Trata-se de um banco de desenvolvimento com capital inicial de 50 bilhões de dólares, implementados pelos cinco integrantes desse bloco de países.
Prova inconteste da importância dessa nova instituição é que além dos presidentes dos cinco países do bloco, estiveram em Fortaleza para prestigiar o evento, mais onze chefes de estado latino-americanos que, embora não tenham participação direta, se beneficiarão em breve com investimentos do banco dos BRICS.
A única experiência semelhante a essa iniciativa deu-se em 1944, com os acordos de Bretton Woods, estabelecidos por 45 países aliados, que criaram um sistema de proteção ao sistema capitalista, estabelecendo o BIRD, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. Essas instituições até há pouco tempo gerenciaram a crises financeiras dos países associados e emprestaram dinheiro para várias iniciativas desenvolvimentista. No entanto as regras demasiadamente rígidas e caducas, especialmente do FMI, e o poder decisório centralizado nos Estados Unidos e em alguns países europeus, fez com que essas instituições perdessem não somente credibilidade como também capacidade financeira.
Chega portanto em boa hora o banco dos BRICS que, assim como as instituições criadas em Bretton Woods, somente começara a funcionar depois de os Congressos dos países membros ratificarem o acordo.
Os BRICS deixaram de ser um amontoado de letras criadas por Jim O”Neill, o comandante do Goldman Sachs, e transformaram-se em um bloco que colocará em cheque o carcomido FMI obrigando-o a mudanças que contribuam realmente para o desenvolvimento global. E a ONU também deverá operar mudanças significativas em sua arcaica estrutura e a primeira demonstração disso é que a Rússia já sinaliza apoio para que o Brasil faça parte do Conselho de Segurança, órgão que tem o poder de vetar quaisquer determinações. Assim Rússia, China e Brasil, três dos componentes dos BRICS, integrando o Conselho de Segurança, poderão dar um equilíbrio às decisões da ONU, o que não acontece atualmente.
A criação do Banco dos BRICS demonstra claramente que a história continua. “O fim da história”, profetizado por Francis Fukuyama não se concretizou após a queda do muro de Berlim e o advento do neoliberalismo. O neoliberalismo criado no Consenso de Washington e adotado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso que sangrou o povo brasileiro está condenado, embora o candidato Aécio Neves ainda mantenha em seu discurso do atraso, vários elementos que ressuscitariam essa desgraça. Os BRICS em Fortaleza foram saudados (para não dizer fortalecidos) por nada menos que onze países latino-americanos, da mesma forma que despertou também o interesse de todos os países vizinhos em sua reunião de cúpula realizada na África do Sul.
Mas a direita braba não precisa tremer nas pernas, nem vir com o mesmo discurso anterior à Copa das Copas, quando se dizia que o Brasil não daria conta de promover tal evento. O Brasil tem sim condições de bancar com a sua parte no novo banco. O Banco dos BRICS, dada a maneira como será estruturado, terá sim padrões elevadíssimos de governança e não se trata de nenhuma tentativa de derrubar o FMI (chave mestra de Bretton Woods), mas apenas e simplesmente, demonstrar que não existe um discurso único, um caminho único e que, mesmo dentro do perverso sistema capitalista pode haver avanços significativos.
Passada a Copa, com a vitória do Brasil, apesar do fracasso da nossa seleção, agora é hora de passarmos a pensar nas eleições de outubro e no caso da presidência é aconselhável que não joguemos fora os esforços feitos nos últimos 11/12 anos para tornar o Brasil essa potência econômica reconhecida mundialmente, esse país onde o desemprego é praticamente zero, onde a democracia é plena, onde a diplomacia exerce um papel muito mais importante que os canhões do ultrapassado imperialismo, onde as famílias tem acesso à moradia e a uma renda mínima e os estudantes às universidades. Enfim, torçamos para que o nosso povo use a consciência e não se deixe levar pela mídia comprometida com forças do atraso.