Temos ainda oito dias para pensarmos ou (re)pensarmos o nosso voto. E não se trata de uma obrigação corriqueira, como se fôssemos ao mercado comprar um pé de alface, e sim da maior oportunidade para escolhermos quem dirigirá os destinos da nação nos próximos anos. Seguem algumas considerações sobre a escolha:
No mercado internacional existe uma guerra surda em que todos pressionam a todos. Alguns candidatos pensam que o desenvolvimento brasileiro depende dos Estados Unidos e outros entendem que o Brasil, sendo uma potência econômica, deve prestigiar sim os Estados Unidos, mas não se descuidar em momento algum do Mercosul e do intercâmbio com o Oriente, inclusive com o Mundo Árabe. Dentre os primeiros, um economista chamado Cameron dizia que era preciso que os países desenvolvidos se desenvolvessem ainda mais para repassar aos demais as conquistas anteriores. Com quem ficar? Uma eterna dependência.
Em âmbito regional há quem pense que Argentina, Bolívia, Cuba e Venezuela, especialmente estes, deveriam merecer um tratamento mais duro por parte do Brasil, que deveria promover uma espécie de bloqueio comercial em relação a eles uma vez que adotam políticas bolivarianas e, no caso específico da Argentina, que a sua crise nos dá prejuízos comerciais enormes. Por via de consequência, seria melhor abandoná-la à própria sorte. Para outros, o Brasil estabelecer uma aproximação maior com os países da América do Sul e Central (e também com os africanos) é fundamental para a hegemonia brasileira, mesmo que passem por crises. E agora, José?
Um pibinho ou um pibão? É notório que o nosso crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) está baixo. Para aumentar o PIB, umas das medidas seria diminuir a massa salarial, ou seja, promover um arrocho de salários para possibilitar aos empresários um fôlego para aumentarem a produção, produção essa que deveria ser exportada para garantir a ininterrupção do ciclo de crescimento. Para diminuir a massa salarial existe a necessidade de aumentar o desemprego, pois aumentando-se o desemprego cria-se um exército de trabalhadores de reserva prontos a aceitar salários menores. Ficamos com um PIB menor e um índice de desemprego em torno de 5% (o mais baixo de nossa história), ou aumentamos o PIB?
Existem os que defendem que o país só será rico se tiver um mercado externo volumoso. Outros entendem que o mercado interno fortalecido é o que dá riqueza ao país e que as exportações devem ser do excedente e não do que faz falta à mesa do brasileiro.
Uns defendem a autonomia do Banco Central, outros, o seu controle pelo governo. Defender a autonomia significa defender a existência de um estado mínimo, um estado neoliberal, controlado pelas “mãos invisíveis do mercado”. Já os que defendem o controle do Banco Central entendem que o Estado deve intervir na economia para promover o bem estar social do povo. Temos que ter lado, posição definida.
No chamado estado de bem estar social (solução do economista Keynes para a crise de 1929), uma saída atual é contemplar os desempregados com um seguro ou mesmo dar às famílias em estado de miserabilidade uma bolsa para a sua sobrevivência. O programa bolsa família é considerado por uns como fator de distribuição de renda e por outros, um estímulo à vadiagem. Na política neoliberal, as pessoas que recebem bolsa família se tornariam o exército de reserva ao qual me referi acima. Por outro lado, os defensores do programa entendem que a partir dessa bolsa as famílias conseguem se (re)estruturar e conseguir emprego.
Mais uma questão, a das cotas para ingresso em universidades e serviços públicos. Uns defendem que essas cotas são absurdas pois deve haver direitos iguais para todos, outros dizem que elas servem como uma espécie de pagamento da dívida social que o país tem para com os negros, índios e pobres de forma geral.
Não cabem no espaço de uma crônica outras questões, mas estas já deverão servir como parâmetro para se escolher a(o) futura(o) presidente. Tenho o meu lado, especialmente porque nesses momentos não se dever ficar em cima do muro: estou entre os que defendem as cotas, a bolsa, o Banco Central sob direção do governo, o fortalecimento do mercado interno, o PIB menor em benefício do pleno emprego e a soberania do país, sem dependência externa política ou econômica.