Mantenho um site (www.biasotto.com.br) que recebe, em média, 40 visitas diárias, número relativamente reduzido, mas com boa serventia, porque se presta, principalmente, aos estudantes envolvidos em pesquisas. Portanto, não é por vaidade que o mantenho, mas como forma de pagamento que faço à sociedade. A sociedade brasileira, por intermédio dos governos que se sucederam ao longo de minha existência, patrocinou os meus estudos, desde as primeiras letras até o doutorado. Toda a minha formação devo às instituições públicas, daí a razão de disponibilizar para os interessados os trabalhos escritos que produzi.
Um dos links do site é dedicado aos “livros douradenses”, um trabalho ainda em construção, mas que já tem em torno de 140 obras catalogadas. Nessa semana, incluí mais três, descritas as seguir.
“Betânia”, de Luís Carlos Luciano, da Academia Douradense de Letras, é uma obra que classifico como um romance histórico, pois todo o enredo se desenvolve em torno do BNH 4º Plano. São histórias dos primeiros moradores, das dificuldades que o bairro ensejava, enfim, um entrelaçado de realidade e glamour. Ler Betânia é compreender a história, não só do 4º Plano, mas de todos os outros três BNHs de Dourados. Famílias chegando, se instalando sem o benefício do asfalto, mas construindo amizades duradouras, curtindo churrasquinhos ora em um ora em outro vizinho, numa Dourados que crescia em população migrante vindo em busca desse Eldorado do Centro Oeste.
“Um abraço no Tempo”, de Esmeralda Borges, nos faz acompanhar a trajetória de vida da menina que se encontrou com o bando do lampião, com a jovem casada pelo gosto dos pais, da mulher madura e da jovem senhora que hoje mora em nossa Dourados e também pertence à Academia Douradense de Letras. Por volta das 16 horas, no dia de meu aniversário, atendo ao telefone e é alguém me cumprimentando. Pergunto pelo nome e a resposta foi apenas: “É a velha senhora”. Meu Deus! – exclamei – não é possível, estou nesse exato momento na varanda deliciando-me em ler o seu livro. E li para ela o trecho onde me encontrava: “Fiquei parada na esquina da vida, relembrando os primeiros passos e os tantos projetos espalhados pelo chão do tempo”. E parece ser exatamente esse o objetivo do livro, relembrar...
“A História Esquecida da Guerra do Paraguai: fome, doenças e penalidades”, de Teresa Garritano Dourado, é o fruto de longa e árdua pesquisa que nos oferece um quadro diferente e surpreendente da Guerra do Paraguai. Trata-se de um retrato em preto e branco de uma guerra acompanhada pela fome, pela crueldade e pelas epidemias (cólera, varíola, malária). Nenhum dos quatro países participantes tinham condições objetivas de suportar durante 5 anos tal guerra genocida. É livro para ser distribuído para todas as escolas brasileiras, no sentido de mostrar a imbecilidade da guerra.
Tenho muito trabalho pela frente, por informações com editores, deve faltar, por baixo em meu catálogo, uns 400 livros. Desconheço outra cidade do porte de Dourados com tantas obras publicadas. Dourados brilha pelos seus escritores, seus poetas, seus artistas plásticos, pelos seus músicos, suas academias de dança e música. Bem diz o nosso hino “Eis Dourados cintilante...”
E quando reflito sobre a grandiosidade de nossa cidade, bate-me uma saudade do projeto “Cidade Educadora”, que congregava em âmbito local mais de 120 entidades que se reunia mensalmente para tornar públicas e socializar com as demais entidades as boas práticas realizadas em escolas, nas repartições públicas, em todo logradouro público. Acho que fui induzido, pelas três obras às quais me referi, a ter essa saudade. A história da Guerra servindo de exemplo para evitá-las a todo custo e as outras para acalentar em um cantinho da memória “os projetos espalhados pelo chão do tempo”.
O grande objetivo das Cidades Educadoras é trocar informações sobre as boas práticas em execução nas cidades associadas. Dos trabalhos realizados em Dourados, vários já estavam à disposição do Mundo no site das Cidades Educadoras, cuja sede é em Barcelona. Dezenas de outros não protocolados faziam-nos sonhar com uma cidade melhor, inclusive vários sobre o nosso caótico trânsito.