Surpreendente a expansão da UFGD em apenas 9 anos.
Trinta e cinco anos após um pequeno grupo de professores começar a defender a ideia de transformar o CEUD, então campus da UFMS, em UFGD, e ser inclusive alvo de chacotas, eis que temos uma Universidade Federal consolidada. Criada em 2005, no próximo ano, 2015, haveremos de ter uma grande festa comemorativa de 10 anos de sua existência. Semana passada, em visita ao Centro de Documentação Regional, importante depositário da memória e história da região, comentei com o seu diretor, o professor Dr. Paulo Roberto Cimó Queiróz, que o nosso sonho, o sonho daqueles que tiveram a visão de que Dourados seria uma metrópole regional, foi menor do que a realidade, tão surpreendente o crescimento da UFGD que construiu e contratou professores e funcionários muito mais do que planejáramos no projeto inicial.
Esse processo de implantação e desenvolvimento da UFGD precisa ser muito bem avaliado pelas forças vivas de nossa cidade e região, para que não haja rupturas no futuro. O crescimento é vertiginoso. Somente hoje, enquanto, esta crônica está sendo divulgada, 81 novos concursos estão sendo realizados para a ampliação do quadro de docentes. Aposentado, já não tenho números exatos, mas segundo o costume, em cada banca com três membros, teremos dois docentes de outras Universidades brasileiras, o que significa dizer que receberemos 160 professores doutores de outras localidades hospedando-se, trabalhando e conhecendo a nossa cidade. Por outro lado, estimemos em torno de 5 concorrentes (todos doutores, conforme exigem os editais), de outros estados brasileiros para o preenchimento das vagas, serão mais 400 visitantes. Por essa e outras, temos de admitir que a UFGD foi uma das maiores conquistas de Dourados, equiparando-se ou até mesmo superando o sucesso da implantação da Colônia Nacional Agrícola e a expansão agrícola, especialmente com a soja nos anos de 1970.
UEMS e UFGD, constituem-se nas duas instituições de ensino superior da região que mais produzem pesquisa e realizam extensões universitárias. Poucas são as cidades brasileiras que tem o privilégio de poder contar com duas universidades públicas. Lamentável que a UEMS tenha sofrido nos últimos oito anos de administração peemedebista, a perda de sua autonomia financeira e que o governador tenha imposto a criação de um curso de Medicina fora da sede, mas embora essa seja uma outra conversa, serve de exemplo para que a UFGD não sofra tamanha e nefasta interferência política, lembrando que em março de 2015 haverá eleição para a escolha de novo reitor.
O professor Dr. Damião Duque de Farias fez ao longo desses primeiros anos de implantação da UFGD um trabalho irrepreensível, a começar pela organização de uma equipe altamente capacitada. Dos 97 mil metros quadrados construídos, 67 mil (aproximadamente) foram erguidos a partir da criação da UFGD; de menos de cem docentes que tínhamos no CEUD, se contarmos com o concurso de hoje, teremos perto de 600 professores, a grande maioria com doutorado. Funcionários já são cerca de 2 mil, incluindo-se os do HU. Significa dizer que o professor Damião administra um orçamento de 225 milhões de reais. É muita obra, muita gente e muito dinheiro, por isso afirmei logo acima que as forças vivas de Dourados, mas especialmente os discentes, funcionários e professores da UFGD devem abrir bem os olhos na hora de escolher o novo reitor e os diretores de suas doze faculdades que congregam 32 cursos de graduação, 18 programas de mestrado e 8 de doutorado.
É muita coisa para apenas nove anos. Mal comparando, enquanto a UFGD era ainda um Campus da UFMS, em 34 anos de existência tínhamos 12 cursos de graduação, dois programas de Mestrado e apenas um doutorado.
Todos aqueles que participaram desse gigantesco projeto devem guardar hoje, num cantinho de seus corações uma pontinha de satisfação. Lembro-me que no primeiro vestibular para o curso de Medicina, esgotadas as vagas nos hotéis, muitas famílias se ofereceram para hospedar participantes de todas as regiões do país. Por isso, e por todo o trabalho feito, acredito que os novos 81 professores que haverão de tomar posse no ano que vem, serão muito bem recepcionados em nossa cidade e que contribuirão para que esse círculo virtuoso não seja interrompido.