Não creio que tenha sido uma promessa vã, mas sim a proclamação de uma meta a ser atingida: fazer do Brasil uma Pátria Educadora. Trata-se de algo absolutamente novo e admirável. Pátria Educadora soa forte, embora seja um compromisso difícil de ser cumprido em 4 anos, mas que, se começar bem, com rumo definido, não poderá haver retrocesso no governo que será eleito em 2018.
Cristovam Buarque disse que gostou do tema, mas que seria necessário mais que dobrar o investimento que está em torno de 4 mil reais/ano por aluno para 9 mil. Será possível? Cid Gomes deu um bom começo, ao contrário do que disse quando foi governador do Ceará (que o professor deveria trabalhar por gosto e não por dinheiro): já anunciou um aumento no piso salarial em 13,01%, passando a R$ 1917,78. Quer dizer que aquela velha e esfarrapada pregação alienante de que o magistério é um sacerdócio está superada, e apesar desse piso ainda ser pouco para o exaustivo trabalho de 40 horas semanais, não deixa de ser um bom reajuste. Em outras palavras, significa dizer que o Ministro reconhece que o magistério é uma profissão e que, senão houver remuneração condigna, não atrairá jamais bons educadores.
Sem educação de qualidade o Brasil não se sustentará como potência econômica (hoje somos a 7ª economia do Mundo), não diminuirá a violência, não conseguirá melhorar sequer o trânsito de veículos nas cidades, não elevará o seu Índice de Desenvolvimento Humano. Enfim, basta mirarmos o exemplo de países arruinados pela 2ª Guerra Mundial e que colocaram a Educação como prioridade para recuperarem-se e transformarem-se em potências, para crermos que a Educação é o motor mais poderoso para a edificação de um país mais justo e soberano.
Transformar o Brasil em Pátria Educadora é tarefa hercúlea, mas possível. Primeiro porque está vindo por aí o pré sal, que renderá 134,9 bilhões de reais até 2022, mais de 16 bilhões anuais. Um acréscimo considerável, se tomarmos por base o orçamento do MEC em torno de 100 bilhões. Mas não é só; tendo sido escolhida como prioridade das prioridades, o orçamento haverá de aumentar consideravelmente, afinal, como já disse, é preciso melhorar ainda mais os salários, é necessário estabelecer o regime integral de ensino, faz-se premente dotar as escolas de recursos modernos, com lousas eletrônicas, banda larga da Internet em todas as salas para que professores e alunos interajam no mundo virtual de tal forma que o conhecimento seja atualizado e, nesse sentido, torna-se premente a atualização constante dos professores, pois em caso contrário, os alunos acabarão colhendo na Internet as informações que faltarem em sala de aula. E nisso reside um grande perigo, pois as redes sociais oferecem coisas boas, mas também coisas absurdamente falsas com aparência de verdades. Aí deve entrar o trabalho do professor que, para tanto, precisa renovar constantemente os seus conhecimentos, dispondo no mínimo de 1/3 de seu contrato de trabalho para atualizar-se. Isso tudo sem falar da universalização do ensino infantil, da erradicação de todo tipo de analfabetismo (total, o funcional e tecnológico).
Quanto ao Ensino Superior, é preciso criar mais Universidades Públicas e aumentar vagas nas já existentes, pois é primordial para o desenvolvimento do país. Quanto às instituições privadas, urge que se estabeleça novas regras objetivando a obrigatoriedade de qualificação de seus docentes e a manutenção do privilégio de isenção de impostos somente àquelas que estabelecerem isonomia salarial com as federais.
Enfim, há muito a ser feito para sermos uma Pátria Educadora, mas em se concretizando esse objetivo, nossa Pátria será ainda mais amada. Evidentemente que não basta o anúncio da presidente. É preciso trabalho, encampação da ideia por governadores e prefeitos, pelos trabalhadores em educação e, porque não dizer, dos cidadãos de forma geral, a exemplo do que estávamos realizando em Dourados, com o Projeto Cidade Educadora.
Com muito otimismo, o governo haverá de superar obstáculos gigantescos, pois contrariará interesses corporativos. Os objetivos dos especuladores passam muito além da meta estabelecida pela presidente de transformarmos o Brasil em Pátria Educadora: para eles a prioridade é constituir religiosamente o superávit primário para o pagamento de juros.