A expansão da Internet, com a criação de redes sociais e de inúmeros blogs, está promovendo um efeito positivo na democratização da notícia e na liberdade de expressão. Impressiona a quantidade de notícias que não se vê na grande mídia nacional e que são reveladoras de acontecimentos que afetam o Brasil e o Mundo. Neste carnaval pulei muito, de blog em blog, tanto os de direita quanto os de esquerda, analisando-os para formar opinião sobre as diferentes maneiras de trabalhar um fato.
A turma de FHC está pregando o impeachment de Dilma em virtude da operação lava jato, que investiga desvios na Petrobrás. Essa pregação de forma tão direta não agrada a um outro grupo, que defende apenas o aprofundamento das investigações da Pebrobrás e não a manifestação a favor do impeachment que está sendo programada para 15 de março. Já a ultraconservadora jornalista Eliane Cantanhêde defendeu no Estadão que: “Não há viabilidade para isso (o impeachment). Ela referiu-se às crises em que foram depostos Getúlio Vargas (1954), João Goulart (1964) e Fernando Collor (1992), para concluir que “Dilma tem biografia solida, a história do PT, exército, tropa”, gerando um quadro político no qual “um processo de impeachment simplesmente incendiaria o País”. Portanto, os dois últimos grupos de direita, ao invés de uma ação direta, preferem o sangramento, mesmo que lento, mas contínuo, de modo a derrotar o PT nas próximas eleições. Olhando os blogs de esquerda o que se vê é que o sangramento de Dilma e do PT, serviria para abrir caminho para a privatização da Petrobrás, já que a descoberta do pré-sal abriria espaço para a criação de mais igualdade social no Brasil.
Na análise política, blogs de esquerda analisam recente artigo de FHC elogiando a recuperação econômica dos Estados Unidos e pregando a aproximação do Brasil com Europa e Estados Unidos ao invés de incentivar ações com os BRICs. Ora, dizem esses blogueiros, a economia estadunidense se recuperou à custa de lançar para a zona de pobreza 50 milhões de norte-americanos e a Europa se debate ainda com a crise.
Aí entram as análises sobre o comportamento do primeiro ministro grego, Tsipras, ao reafirmar que "temos um claro mandato para salvar o país e isso não vai acontecer se prosseguirmos os erros, como pedem alguns credores (...) não daremos um único passo atrás nas promessas que constam do nosso programa político". Ninguém sabe onde vai desaguar essa crise, mas Espanha e Portugal estão próximos de se encontrarem na mesma situação grega e a Alemanha, por seu lado endurece o jogo.
Voltando ao Brasil: os blogs de direita centram fogo na corrupção na Petrobrás, os de esquerda defendem que o escândalo começou em 1997, portanto antes do PT e atacam o escândalo do HSBC. Brasileiros tem 520 bilhões de dólares no exterior e só no HSBC são mais de sete mil contas ilegítimas, com valor superior a US$ 7 bilhões, importância que equivale aproximadamente aos R$ 18 bilhões que o ministro da fazenda pretende levantar para pôr “ordem” nas contas públicas.
O propagado diariamente pela grande mídia sobre a necessidade do tal “equilíbrio fiscal”, nada mais é senão para gerar superávit primário, uma reserva para pagar juros da dívida interna. E por que essa dívida é estratosférica? Ocorre que desde que se tentou implantar o neoliberalismo no Brasil, desde Collor, mas com aprofundamento no governo FHC, essa política ao invés de arrecadar mais dos ricos passou a isentá-los com a lógica neoliberal de que não mais o Estado, mas os ricos, quanto mais ricos, promoveriam o desenvolvimento do país. Sem taxar os grandes, o governo não teve outro recurso senão recorrer aos empréstimos. Essa dívida consome 5% do PIB, mas nos conformemos, com FHC consumia 10%.
Só para se ter uma ideia, o imposto sobre patrimônio no Brasil não chega a 3.5% da arrecadação, nos Estados Unidos representa 12% e na Coréia do Sul 11%.
Outro ponto bastante divergente entre o noticiário diz respeito ao alarde feito sobre o fuzilamento do brasileiro Marco Archer, por portar 13,4 kg. de cocaína e calar-se diante da apreensão de 500 kg. de pasta apreendidos no helicóptero dos Perrella.
Conclui-se que não se pode ficar preso a um único veículo de comunicação e que é preciso ler as linhas, as entrelinhas, o texto e o contexto.