A corrupção é uma chaga que atinge todos os países do Planeta embora os critérios de classificação usados pela ONG “Transparência Internacional” prejudiquem os países menos poderosos. George Monbiot demonstra que a “Transparência” coloca Reino Unido, Suíça, Cingapura, Luxemburgo e Alemanha entre os países menos corruptos, no entanto são eles mesmos que mantêm os piores regimes sigilosos de investimentos e paraísos fiscais. Quer dizer, a corrupção é escamoteada.
Como o Brasil não faz parte desse grupo de países, somos classificados em 69º lugar na lista dos países mais corruptos do mundo. A Mídia Nacional, especialmente aquela que defende o capital, repercute diariamente a corrupção reinante em nosso país, embora de forma seletiva e, pior, dando pouca ou nenhuma repercussão aos desvios maiores. Por exemplo, ocupamos o 2º lugar no mundo em termos de sonegação de impostos. Heráclio Camargo afirmou para o jornalista Carlos Drummond, que deixa-se de recolher 500 bilhões de reais por ano aos cofres públicos. Mas tudo indica que a evasão de divisas por sonegação seja ainda maior. No dia 18 de março Camargo instalou em Brasília um sonegômetro que mostrava um total de R$105 bilhões sonegados desde janeiro. Significa dizer que a sonegação em dois meses e meio foi maior que a média de corrupção de um ano inteiro, calculada, segundo Ricardo Roriz Coelho em 67 milhões.
Outro dado impressionante revelado por Ladislau Dowbor é a comprovação de que a desigualdade da renda é crescente e o patrimônio acumulado por 85 famílias supera o de 3,5 bilhões de pessoas da base da pirâmide social. São mais de 20 trilhões de dólares circulando em paraísos fiscais. O Brasil tem 520 bilhões de dólares nesses paraísos, 25% do PIB. Quando Lula foi eleito a oposição cortou rapidamente os míseros 0,38% sobre movimentações financeiras que eram aplicados em saúde pública, e nossa mídia aplaudiu, mas não nos informa, por exemplo, a lista do HSBC, onde encontram-se muitos dos depositários desses 520 bilhões que, se fosse dinheiro limpo, não precisaria estar escondido.
Tem mais desvios. A operação Zelotes está investigando empresas que distribuíam propinas para escaparem de débitos fiscais, coisa de R$ 19 bi de prejuízo aos cofres públicos contra 2,1 bilhões na Petrobras.
E ainda pior é a dívida pública, um sumidouro de dinheiro. Maria Lúcia Fattorelli, brasileira que está participando do Comitê pela Auditoria da Dívida Grega, diz que “o valor emprestado cresce brutalmente em função dos juros (..) e a dívida vai se tornando contábil, isto é, jogo de juros sobre juros (...) e o endividamento público se converte numa maneira de desvio de recursos públicos em larga escala”. A conclusão é de que realmente a corrupção desvia o nosso dinheiro dos lugares onde deveria ser investido, mas comparemos, no mensalão comprovou-se desvios de R$ 140 milhões e a dívida pública no mesmo ano consumiu dez mensalões por dia. Já em 2013 o governo pagou R$ 718 bilhões em juros e amortizações (40,3% do orçamento, contra 3,4% que investiu em Educação e 1% em transporte). Esse peso cai nos ombros do povo trabalhador enquanto os financistas entopem de dinheiro os paraísos fiscais.
A corrupção está sob ataque: petrolões, lista de furnas, trensalão paulista, suiçalão, Opportunity etc., mas tem os outros desvios mencionados que deveriam ser levados em conta, inclusive a dívida pública brasileira, que merece uma auditoria. Existe uma dívida legítima, que deve ser paga, e uma dívida ilegal e ilegítima. Yannick Bovy, lembra-nos de que, a Alemanha por exemplo, em 1953, se beneficiou de uma redução de 62% de sua dívida, então por que não fazer o mesmo para um país como a Grécia? Muitos dos recursos emprestados pelo FMI ao governo grego foram para salvar bancos alemães e franceses e não para contribuir na recuperação da economia daquele país cuja população sofre com a voracidade dos financistas. Esse tipo de dívida não é legal, muito menos legítimo e ocorre em muitos outros países.
Encontro essas informações em Carta Maior, Carta Capital, Conversa Afiada, VioMundo, sites com menos abrangia que a grande mídia. Por isso é que não aparecem nas manifestações de rua protestos em relação a esses desvios, mesmo porque os seus organizadores provavelmente estejam envolvidos neles.