Domingo, 16 de agosto, é dia de manifestação. Contra a presidente Dilma evidentemente, pois, afinal, a presidente é a culpada por todos os males acumulados em nosso país. A irresponsabilidade do PSDB em articular com órgãos de imprensa contrários às políticas sociais que estão sendo implantadas no Brasil nos últimos anos, com certeza levará muita gente para as ruas, alguns porque não se conformam por terem perdido as eleições presidenciais, outros por serem neofascistas, ainda há os que entendem que a crise econômica pela qual passamos não é coisa própria do capitalismo, mas sim por má administração de Dilma. Enfim, há muito o que reclamar e muitos descontentes, inclusive uma grande parte de ingênuos que se deixam levar pela propaganda massiva contra o governo. A campanha difamatória atingiu limites intoleráveis, chegando-se ao ponto de ataques pessoais à presidente. É deprimente e perigoso chegarmos a esse nível.
As manifestações de domingo têm o objetivo de atingir Dilma e o PT, mas que dizer dos outros partidos? E o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que se arroga dono do mundo, que é acusado de receber propina de cinco milhões de dólares e está a cada sessão rasgando a Constituição e fazendo com que os 260 deputados que comem em suas mãos generosas votem o que ele bem entende? Que dizer de um deputado que em poucos minutos aprova as contas de presidentes que há onze anos estavam engavetadas, com o único objetivo de não aprovar as contas de Dilma do ano passado, abrindo espaço para o impedimento da presidente continuar governando?
É bem provável que a maioria das pessoas que estarão nas ruas no domingo, não saibam que o judiciário brasileiro é um dos mais caros e mais morosos do mundo. O professor Luciano de Ros publicou recentemente um estudo comparativo e concluiu, pasmem os leitores, que a França gasta 0,2 do seu PIB com o judiciário, a Itália 0,3, a Inglaterra 0,32, a Alemanha 0,35, Portugal 0,37 e o Brasil 1,8%. Significa dizer que anualmente o Brasil gasta 87 bilhões de reais com o pagamento do Judiciário. E isso sem contar o policiamento a manutenção dos presídios etc. Mas veja se algum cidadão ou órgão de imprensa faz alguma manifestação a esse respeito.
Nosso Judiciário, da mesma forma que prende Chico deveria também prender Francisco. Isso não está acontecendo, e os protestos não são para que haja uma reforma de base em nosso país, são realizados pelos insatisfeitos que desejam um golpe de estado. Senão, vejamos, não houve corrupção das bravas e confessadas no governo de FHC? E o que fez nossa Justiça? Aécio e Eduardo Cunha não estão acusados na Lava a Jato da mesma forma que Dirceu e outros tantos? Se é para prender corrupto, por que aqui em Mato Grosso do Sul, a Justiça não permitiu a prisão dos envolvidos na operação Lama Asfáltica? Por que o escândalo patrocinado pelo HSBC está debaixo de quieto? Lembram-se de que FHC vendeu o Bamerindus para o HSBC por um real e agora o Bradesco o comprou por 5 milhões? E o escândalo de Furnas, metrô paulista e tantos outros?
Quando escrevo sobre essas coisas não faltam os que me acusam de defender “petralhas”, que onde já se viu um professor respeitado como eu defender o Partido dos Trabalhadores?
Não defendo a corrupção dentro do PT ou dentro de qualquer outra organização, mas a demonização de Dilma e do PT não faz bem à democracia brasileira. A implosão do PT por um juiz parcial e por uma imprensa a serviço do neoliberalismo e a deformação do PSB, com o ingresso de políticos burgueses em suas fileiras, deixará o Brasil à mercê de uma direita neoliberal que, se assumir o governo em 2018, conduzirá o Brasil à dependência direta aos Estados Unidos, privatizará o que ainda nos resta, inclusive a Petrobrás e, dessa forma, adeus “Pátria Educadora”, que sofre uma crise passageira, mas que é promissora para os dois últimos anos desse mandato presidencial.
Na verdade, a maior crise que o país enfrenta não é a econômica, aliás é vivida atualmente em quase todo o Mundo, mas política. O que a direita brasileira está fazendo é incentivar o ódio e recrudescer a luta de classes. A marcha das Margaridas, quando dia 12 em Brasília 70 mil mulheres gritavam que não teria golpe é prova de que haverá reação popular, caso os inconformados não se moderem.