Tive dificuldade em escolher um tema para a crônica dessa semana. Talvez devesse escrever sobre o golpe mais infame que está sendo produzido em nosso país, articulado por uma oposição sem escrúpulos e que tem por objetivo último voltar ao poder e “livrar” o país da crise, com a privatização da Petrobrás, ela, que fez a maior descoberta dos últimos 40 anos, o pré-sal, que poderá nos levar a ser realmente a Pátria Educadora com a qual sonhamos. Não estou defendendo a corrupção que se instalou dentro dessa empresa, mas tenho a convicção de que não se pode matar a vaca por causa de alguns carrapatos. O petróleo é nosso e não podemos permitir que projetos, como o de José Serra, tentem quebrar a empresa passando-a para a mão do capital estrangeiro como já foi feito com a Vale e tantas outras. Nesse momento de crise da Petrobrás a melhor sugestão é a de que o governo injete 40 bilhões em empréstimos para recupera-la rapidamente e deixa-la produzindo não apenas petróleo, mas o nosso futuro com nação soberana.
Não há até o momento, e não creio que venha a existir, qualquer prova ou mesmo insinuação de que Dilma tivesse se envolvido em qualquer escândalo. No entanto pessoas comprovadamente corruptas, como o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, está sendo protegido pelos seus aliados, especialmente o PSDB e DEM e poupado pela grande mídia.
É vergonhoso saber que Cunha poderá encaminhar um impeachment ao governo Dilma, sendo que ele deveria ser o primeiro a ir para trás das grades por receber propinas em torno de cinco milhões de dólares e ter comprovadamente contas secretas na Suíça em torno de 2,4 milhões de dólares. É repugnante ver o Tribunal de Contas da União, em 19 minutos votar e rejeitar as contas do governo Dilma do ano passado, baseado no relatório do Ministro Augusto Nardes, acusado de surrupiar 1,8 milhões de reais da Receita Federal. E, pior, saber que esse mesmo tribunal não rejeitou as contas de FHC pelas mesmas “pedaladas fiscais”. É intolerável que logo após a reprovação das contas, o deputado Cunha chame uma reunião, nem tão secreta, para encaminhar o impeachment, contando inclusive com a presença do líder do DEM, Agripino Maia, que tem a desfaçatez de participar de eventos contra a corrupção embora pese sobre os seus ombros dois inquéritos no Supremo, por corrupção.
Toda a articulação desse golpe que está sendo realizada desde o inconformismo com a derrota de Aécio e sendo repassada ao povo, em alguns casos indecorosamente pela Veja, Isto é, Época, Rede Globo, etc., de maneira que o povo forme uma opinião contrária ao governo.
A culpa é de Dilma. Até a descoberta de água em Marte foi provocada por Dilma para cutucar Alkmin que não consegue abastecer São Paulo.
Claro que não se pode negar a crise econômica, aliás menor que a política, no entanto, as prefeituras e os governos estaduais não devem se aproveitar disso para fazer cortes naquilo que diz respeito diretamente à população mais vulnerável.
É o caso da APAE e da Pestalozzi, duas instituições que lidam com crianças e adolescentes e vivem de doações e do auxílio das prefeituras e do governo do estado, principalmente com a cedência de professores para fazer face ao árduo trabalho de cuidar de deficientes intelectuais, incapazes de frequentar as escolas públicas, mesmo sendo elas inclusivas.
Explico-me: o governo do estado pretende acabar com as cedências e, em lugar delas, repassar uma verba para que os professores sejam contratados diretamente por essas instituições. Não é com isso certamente que o governo debelará a crise pela qual passamos, garanto que a sociedade apoia muito mais essas cedências do que, por exemplo, a construção do aquário em Campo Grande. Essa atitude obrigará as instituições a contratar professores no começo das aulas e demiti-los no final de cada ano. Obrigará ainda que essas instituições paguem salários ainda menores aos professores porque terá que arcar com as obrigações sociais. Pior, abre caminho para que as verbas sejam corroídas por inflação ou diminuídas ao bel prazer do governante. Não é justo. A sociedade paga impostos para que o estado ampare os mais vulneráveis.
André deixou uma bomba, mas Azambuja poderia cortar em outros setores, não nesse, tão sensível.