João Batista anunciava a vinda de Jesus e pregava: “Quem tiver duas túnicas, reparta com o que não tem, e quem tiver alimentos, faça da mesma maneira” (Lucas 3:11). Jesus Cristo, por sua vez pregou a paz, o perdão e o amor.
O cristianismo se propagou especialmente durante a crise do Império Romano, depois da queda do Império veio o Modo de Produção Feudal e depois o Modo de Produção Capitalista, que iniciado timidamente na segunda metade do século 15, foi se aprimorando e hoje reina absoluta como um deus. Nesses tempos os homens ignoraram os ensinamentos de João Batista e de Jesus. Os poderosos, se tiverem duas mantas querem três. Não amam os seus semelhantes, mas o novo bezerro de ouro, o capital. Por isso Marx compreendeu a existência da luta de classes.
Parece que a expulsão dos vendilhões do templo por Jesus não serviu de exemplo. Jesus, além de não pregar o capitalismo, também jamais pregou a realização das sanguinárias cruzadas que tinham como pretexto a reconquista da Terra Santa, mas que na verdade oferecia opções para os segundogênitos europeus conquistarem algumas terras.
Quanto à religião Islâmica ou Muçulmana (Islão e Mussul significam resignação à vontade de Alá), ela foi criada por intermédio do profeta Maomé (Alá é Deus e Maomé o seu profeta). Casado com uma rica viúva, Cadija, Maomé (Muhammad) pôde viajar pelo mundo e conhecer os princípios da religião judaica e do cristianismo, de onde retirou bons ensinamentos. O Corão (Alcorão) é o livro sagrado dos muçulmanos e, ao contrário da Bíblia, escrita pelos apóstolos (Novo Testamento), ele foi revelado por Alá a Maomé, por intermédio do anjo Gabriel, ao longo de vinte e três anos.
Antes de Maomé (Muhammad) a Arábia vivia dividida em tribos seminômades que vagavam pelo deserto. As duas principais cidades eram Yathrib e Meca, onde Maomé nasceu em 570 e de onde partiu em 622 (hégira = fuga) para Yathrib, que passou a chamar-se Medina (a cidade do profeta). De Medina Maomé iniciou o avanço do Islão e quando de sua morte em 632 a Arábia estava praticamente unificada.
A morte do profeta de Alá resultou na primeira divisão do Islamismo entre os xiitas (se diziam os verdadeiros seguidores do Corão) e sunitas (que, além do Corão, seguiam a Suna, livro de normas escrito por um parente de Maomé). Depois desse primeiro cisma outros vieram, de conformidade com a expansão do mundo islâmico: fatímidas, Ahmadi, Alauitas, Alevitas, dentre outros. Mas o grupo sunita é o que possui mais seguidores, seguido pelos xiitas.
Atualmente parte do Mundo Ocidental considera o islamismo uma religião de terroristas, o que não é verdadeiro. As Jihads não podem ser consideradas radicalmente como guerras santas, seu “ significado básico (segundo Bernard Lewis) é empenho ou esforço, algo mais ou menos como seguir o caminho de Deus com determinação". Portanto é uma minoria radical islâmica que perverte os valores do islamismo, interpretando a Jihad como uma anuência para os seus atos.
A verdade é que, não obstante Jesus tenha pregado o amor e Maomé também o tenha feito, tanto o Torá (dos judeus), quanto a Bíblia e o Corão, possuem passagens contraditórias que ora induzem à violência e a destruição dos inimigos, ora ao amor e o respeito às religiões diferentes. Com o passar dos tempos tanto judeus quanto cristãos e muçulmanos abrandaram essas passagens. Para os cristãos, por exemplo, a destruição do inimigo pode significar a destruição dos próprios pecados. A maioria dos islamitas também são pela paz, diz o Corão que quem matar um inocente será como se tivesse matado toda a humanidade (Surata 5:32).
Habibah L. Ibrahim, no blog “as mulheres e o islam”, assim como Bernard Lewis, ratifica que a “palavra jihad significa o esforço de alguém contra o seu próprio ego, contra a sua libido pelo que é ilegal e contra as tentações de Satã”.
É inegável o terrorismo islâmico da Al-Qaeda e do Estado Islâmico, dentre outros, mas generalizar é cometer gravíssimo erro. A realidade do mundo muçulmano é de uma complexidade tamanha cuja explicação não cabe em uma crônica. Uma coisa é certa, nem Jesus nem Maomé são culpados. O ódio dos jihaidtas islâmicos têm origens mais complexas. E eu, esse eterno otimista, que esperava que o século 21 fosse o século da paz, vejo que está sendo o século do ódio.