As corporações de ofício surgiram na Idade Média, alguns séculos após a derrocada do Império Romano, onde predominava o escravagismo, substituído nos tempos medievais pela servidão. Entre os séculos 11 e 12 começaram a surgir as cidades medievais e, com elas, os artesãos livres, que se organizavam em corporações de ofício. Esses ofícios concentravam-se em ruas que eram denominadas de acordo com a predominância de seus habitantes. Assim tínhamos a rua dos ferreiros, dos sapateiros, dos tanoeiros (que faziam os toneis), maçons (pedreiros livres), e assim por diante.
Interessante que, da mesma forma nas grandes cidades, atualmente existem ruas temáticas que concentram o comércio especializado de determinadas mercadorias. Em São Paulo, só por exemplo, Santa Efigênia, computação; Av. Tiradentes, chapéus e boinas.
Com essas similaridades e outras que direi adiante, significa dizer que aqueles que ainda julgam a Idade Média uma Idade das Trevas estão enganados, afinal, não somente as ruas temáticas tendem a imitar a Idade Média, mas também algumas profissões atuais, como veremos. Nem falo das corporações patronais.
Os médicos, por exemplo, sobre os quais teci comentários elogiosos nas duas últimas crônicas, organizam-se em uma das mais fechadas categorias, verdadeira corporação de ofício, que mantém o monopólio da cura. Os cursos de medicina pouco variam em suas respectivas estruturas curriculares, os médicos, regra geral, são formados com características comuns; frequentam cursos regulares nas universidades de medicina, mas depois têm que se submeter à residência médica, onde buscam especialidades distintas. Os Conselhos de Medicina impõem regras rígidas no exercício da profissão. Pior, até poucos anos atrás dificultavam a abertura de novos cursos, praticando uma mal disfarçada reserva de mercado, e não permitiam a prática de curas alternativas. São práticas que me fazem lembrar, por um lado os maçons (pedreiros) medievais, que guardavam a sete chaves os segredos da arquitetura e os mestres de ofício que reservavam a sucessão especialmente a membros da família, assim como hoje em dia a medicina está se tornando uma profissão praticamente hereditária.
E que dizer dos advogados? A categoria começa por incentivar os filhos a seguirem a mesma profissão dos pais, organizando escritórios que se tornam estabelecimentos familiares, mas o pior, ao menos em minha opinião, são os exames da Ordem dos Advogados. Com o poder que detêm, os advogados conseguiram estabelecer a regra de que o formado em direito, o bacharel, para advogar tem que se submeter a um exame da Ordem. Quer dizer, ao invés de laborarem por universidades de qualidade, fecharam os olhos para as “fábricas de diplomas” e estabeleceram um exame para a admissão do bacharel na corporação. Um exame, diga-se de passagem, altamente lucrativo para a Ordem, tanto em âmbito nacional quanto seccional.
Outra corporação cujo poder é ainda maior é a dos juízes. Dias atrás (21/08/2016) Fernando Brito, no Estadão, sob o título “Dinheiro fez de juízes uma casta que tem horror ao povo”, afirma que os juízes brasileiros ganham mais que seus colegas de países desenvolvidos, como Inglaterra e Estados Unidos e que esses profissionais “detém, virtualmente, o direito de fazer o que quiserem, com qualquer um”. No Paraná de Moro, que faz o que quer, quarenta e dois juízes exigiram indenizações de jornalistas da Gazeta do Povo, simplesmente porque publicaram os seus altos salários. Felizmente no Supremo ainda houve bom senso.
Fernando Brito conclui que o mais grave, no entanto, é “ o prejuízo que o povo brasileiro suporta com este festival de dinheiro (ganho pelos juízes e outras corporações) que, claro, não fica incluído nos “cortes” que se quer fazer em saúde, educação...”
Em 10 de agosto a ministra do Supremo Carmém Lúcia, desejou interferir inclusive na Língua Portuguesa e disse que; "Eu fui estudante e eu sou amante da língua portuguesa, eu acho que o cargo é de presidente, não é não?".
Ao menos nesse caso lavei minha alma quando li artigos do prof. Paschale (18/8/ e 25/8/2016) afirmando que a forma presidenta é perfeitamente correta, tanto quando presidente. Os tucanalhas ao debocharem da presidenta erraram, eu particularmente prefiro presidente, simples questão de preferência.