Muitos desejam ser prefeito, poucos os que possuem condições objetivas para concorrer ao cargo. As campanhas são caras e as novas regras fecham espaços. Ao que me parece, as tentativas de moralizar o pleito público, acabou resultando em espaço para a compra de votos. Senão me digam, como fazer campanha? Especialmente em Dourados que tem uma retransmissora de TV que transmite o horário político de Ponta Porã? Sem falar no milhão e duzentos apreendidos em pneus de uma jamanta que ainda não se sabe para quem iria, embora seu destino fosse Dourados.
Mas, enfim, estamos perto de mais uma disputa eleitoral. Particularmente, a princípio, acredito que todo cidadão, eleitor de um município, capaz de coordenar uma equipe, com projetos para a sua cidade, com amor pela sua cidade, deveria ter o desejo de trabalhar por ela em um cargo tão relevante. Disse desejo, não ambição. As Leis deveriam permitir que cidadãos concorressem pela sua capacidade administrativa, pela sua retidão de caráter, pela sua honestidade, no entanto o que se verifica é que as pessoas com essas características fogem da política como o diabo da cruz.
Imaginem uma pessoa decente, mas sem grandes posses, ser eleita prefeito(a)? Primeiro, é difícil mostrar os seus projetos para toda uma cidade com 220 mil habitantes, mas vá lá. Segundo, sendo eleito(a) terá pela frente dezenas de promotores públicos e um tribunal de contas que não deixarão passar uma vírgula. Para se defender há necessidade de advogados e advogados cobram para trabalhar. E estou falando em um prefeito honesto, mas que pode errar, pode ser acusado de centenas de detalhes. Por exemplo, eu poderia dizer que um prefeito ao homenagear um cidadão, nomeando um conjunto habitacional com o seu nome, estaria na verdade atraindo para si a simpatia e os votos da família, então poderia eu, um cidadão comum, entrar com um processo que daria pano para as mangas. Tetila, responde até hoje processo por ter nominado alguns bairros de Dourados de Estrela: Estrela Verá, Estrela Porã, Estrela Poty. E alguém achou que ele estava homenageando o PT cujo símbolo é uma estrela. Bom, poderia ser a estrela do Botafogo, ou outra qualquer, mas não, ainda responde ao processo.
Não obstante tudo isso, eu mesmo, em 2008, fui candidato. Um candidato entusiasmado e com uma vontade imensa de retribuir ao menos um pouco com tudo o que Dourados me deu. Entendia que tinha condições para tal. Muitos outros tem ou tiveram os meus sonhos.
Hoje, vendo os planos de governo dos postulantes à prefeitura, observo que algumas coisas que estavam no meu plano oito anos atrás e estariam nos planos do professor Damião Duque de Farias, se a sua candidatura tivesse sido homologada, já não são prioridade.
Tomo o exemplo do Projeto Cidade Educadora, que estava mostrando Dourados aos cinco continentes. Nenhum plano atual anima-se em retomar tão valoroso projeto que, sem dúvida, elevaria o Índice de Desenvolvimento Humano de nossa cidade.
Ainda há de se notar que embutido nesse projeto estava contida uma revolução na Educação de nosso município. O diálogo com o Sindicato dos Professores seria constante. A categoria jamais ficaria em estado de greve durante 80 dias. Cada escola municipal teria uma piscina, pois está provado que quem faz natação desenvolve melhor as suas capacidades cognitivas. Cada escola teria um Centro Cultural, algo igual ao que Tetila denominou POLEM, que é um projeto que alimentamos desde 1988. Nesses Centros Culturais haveria dança, música, artes marciais, teatro. Nas quadras haveria todas as modalidades de esportes. No Parque Arnulfo Fioravante, seria construído um grande espaço cultural para onde seriam levados todos os artistas e atletas que se sobressaíssem nos Centros Culturais das escolas. Aí se formaria a orquestra, a fanfarra, o coral, os grupos musicais variados, as academias das várias modalidades de dança, as equipes de jogos e a formação de atletas nas modalidades olímpicas.
Os impostos seriam (re)adequados, especialmente o ISS que poderia ser ampliado na base e diminuído no porcentual. A população participaria por intermédio das Associações de Bairros, Clubes de Serviços, Sindicatos e, do Orçamento Participativo.
Quanto sonho! A esperança é de que o candidato(a) eleito pense nessas coisas maiores.