Nada mais é durável, a começar pelas geladeiras, lataria de carros, concepções de vida, mudanças no comportamento social e até mesmo as reviravoltas nas equipes de futebol que passam do inferno ao céu em questão de meses. Até a seleção brasileira, de desacreditada tempos atrás, agora está prestes a classificar-se para a Copa de 2018. Atribui-se as mudanças a um responsável: Tite. Mas o trabalho é coletivo, somos a soma de nossos esforços com as circunstâncias que nos rodeiam, Freud já nos ensinou que é indizível o que é produção individual e coletiva.
No campo social, econômico e político, as transformações também estão sendo vertiginosas. Desde a queda do muro de Berlin em 1989, as transformações são rápidas como nunca visto na história. Crises e mais crises: no Egito, os cavalos estão passando fome devido à queda no turismo; no Mundo Árabe as guerras entre facções levam à destruição e à morte; na África a fome é quem mata; a Europa mal suporta as emigrações e a França em especial, que já foi sinônimo de liberdade, igualdade e fraternidade, já não corresponde a esses maravilhosos ideais; na América do Sul os golpes de direita substituem os governantes que tinham projetos de bem-estar-social e na América do Norte, especialmente nos Estados Unidos, a eleição de Trump disseminou o ódio, o racismo, a intolerância. Tantos horrores, não cabem em uma crônica, centremo-nos, embora parcialmente, nas recentes transformações ocorridas em nosso país.
Estou seriamente preocupado com a possibilidade de uma convulsão social grave, que poderá até mesmo se transformar em guerra civil caso a radicalização leve direita e esquerda a se armarem. E, assim como não se pode atribuir única e exclusivamente a Tite a recuperação de nossa seleção, não se pode responsabilizar somente Temer pela situação. Um vagalhão neoliberal ameaça o Ocidente. Desde a crise norte-americana de 2008, que se espalhou pelo mundo e ainda persiste, a Direita radicalizou e, financiada pelos conglomerados multinacionais e apoiada pela Mídia conservadora, impõe ao povo o ônus da crise. Pelas urnas, ou por golpes mal disfarçados levam governos a favorecem a elite financeira em prejuízo dos trabalhadores.
No Brasil, ao invés de se taxar as grandes fortunas, auditar a dívida interna, (dívida bruta em torno de 72% do PIB em 2016) e taxar os lucros em aplicações financeiras, o governo está prestes a impor uma mudança na Constituição (PEC 55 no Senado, 241 na Câmara), que não por acaso é chamada de PEC da morte, pois afetará diretamente o trabalhador e fará com que o Brasil volte a figurar no mapa da fome da ONU, do qual saímos honrosamente a partir de 2014.
O ódio disseminado pela Globo, Folha e congêneres já se faz sentir. A radicalização divide o país. Em Dourados estudantes que ocuparam a Reitoria da UFGD foram ameaçados pelos contrários à ocupação e a Assembleia dos Professores, para decidir sobre indicativo de greve, foi tumultuada por estudantes contrários e as discussões entre os próprios professores foi pouco amistosa (venceu por 10 votos a proposta contra a greve). Em Campo Grande a crise institucional se arrasta há anos e a previsão é de que continue. Em São Paulo o governo Alkmin solta a tropa de choque sobre estudantes secundaristas que ocupam escolas ou fazem manifestações públicas. No Paraná se dá a maior ocupação de escolas públicas. No Rio a situação é ainda mais grave, servidores públicos enfrentam a polícia militar e as coisas se complicaram quando vários policiais passaram para o lado dos servidores. Foram presos, é verdade, mas fica demonstrando o descontrole existente. Ainda no Rio dois ex-governadores foram presos, acusados de corrupção (não são do PSDB e nem do DEM), o que aumenta o sentimento de revolta do povo. Em Brasília, um retrato ainda pior, um grupo de defensores da ditadura militar ocupou a Câmara, numa prova inconteste de que parte da Direita brasileira (e mundial) está evoluindo para o nazi-fascismo.
Moro contribui também na disseminação do ódio, solta Alberto Youssef, condenado a 120 anos e, ao invés de condenar apenas os corruptos, quebra a indústria naval brasileira, a Petrobras e as Construtoras, gerando colapso no elevado padrão técnico dessas empresas e mais desemprego. Mata a vaca por causa dos carrapatos.