O envenenamento de Dona Marisa Letícia
Difícil escrever uma crônica com a emoção tomando conta do autor, não foi fácil começa-la e não imagino o seu final. Isso porque a morte de Dona Marisa Letícia não foi uma morte natural, foi produto de sofrimento, de dor, de incapacidade para suportar por tanto tempo o volume de depreciações de que foi alvo e das imputações caluniosas de que foi vítima. Não me caiu uma lágrima sequer, mas me dói o peito ao constatar que uma primeira dama tivesse passado por tudo o que ela passou. Nunca sequer conversei com Dona Marisa Letícia, portanto não é um ato de amizade que me leva a condoer-me, mas o sentimento de justiça que eu desejaria que houvesse a seu respeito. Não foi um AVC que matou Dona Marisa Letícia, foram gotas de veneno injetadas durante os oito anos do mandato do presidente Lula por uma mídia preconceituosa, discricionária e defensora de uma estirpe de governantes representantes da classe dominante. Não foi um AVC, mas as acusações sofridas por sua família durante os últimos seis anos. Doía em Lula, doía nela. Doía nos filhos doía nela. E quando a atingiam diretamente para enfraquecer Lula, também sofria, não sei se mais ou menos, mas sofria porque ela era família. Se lhe ferissem o indicador ou o polegar doía toda a mão, doía todo o corpo. E sua dor era tanto maior porque não a partilhava, suportava calada para preservar Lula.
Existiram primeiras damas cheap replica watches best replica watches cheap fake watches cheap replica watches fortes como um rochedo que silenciosamente suporta o peso das ondas do mar bravio. Dona Ruth Cardoso, antropóloga que dizem que era intelectualmente superior a Fernando Henrique, suportou com aparente serenidade a traição imposta pelo marido adúltero e comportou-se exemplarmente nas cerimônias oficiais, quando era preciso estar ao lado do marido. Dona Marisa Letícia, embora longe de ter a formação acadêmica de Dona Ruth, tinha um carinho tão grande pelo marido e uma militância tão acentuada, embora discreta, que jamais cometeu uma gafe, tão esperada, tão vigiada pela mídia marrom. Aprimorou sua maneira de vestir, de pentear-se de postar-se entre as autoridades a tal ponto que merece louvor, mesmo porque sabemos de sua origem humilde. Seu comportamento silencioso era muito mais por sabedoria do que por timidez ou algo diferente.
Mas não somente eu penso que Dona Marisa teve morte prematura, o líder do PT na Câmara, Carlos Zarattini (SP), afirmou na quinta-feira passada, quando constatada a morte cerebral da ex-primeira-dama que, em parte, "toda a pressão que ela sofreu, que a família do presidente Lula vem sofrendo, a perseguição da Operação Lava Jato, a tentativa interminável de imputar crimes ao presidente, aos seus familiares. É evidente que isso levou a uma tensão que desaguou nesta situação"; e que Dona Marisa "não foi apenas uma primeira-dama, foi militante do PT, do povo brasileiro que participou nos últimos 40 anos de todas as lutas do povo brasileiro".
Leandro Fortes no blog Vi o Mundo foi ainda muito mais incisivo que o próprio líder do PT na Câmara. Eis a sua opinião sobre a morte de Dona Marisa Letícia:
“Para atingir Lula, a quem não tiveram coragem de prender, o esgoto da mídia e seus serviçais da política envenenaram a nação com ódio, rancor e ressentimento, nem que para isso fosse preciso atingir a vida de toda a família do ex-presidente.
Nem que para isso fosse preciso levar à morte uma mulher digna, honesta e dedicada aos seus e ao País.
Não sem antes vazar as imagens de sua tomografia cerebral, como um troféu grotesco de certo replica watches sale Knockoff replica best replica watches luxury replica watches breitling replica breitling replica watches jornalismo abjeto oferecido às hienas que dele se alimentam.
Todos sabemos os nomes, os cargos, as redações e as togas de cada um dos responsáveis pela morte de Dona Marisa”.
Particularmente não sei até onde chegará o ódio que está invadindo o coração de muitos brasileiros, ódio produzido por uma casta inconformada por ter perdido o poder e destilado por uma mídia que a representa e que escolhe à dedo os seus jornalistas. Também é impossível imaginar até quando Lula resistirá. O maior líder do Brasil está sendo submetido também a um tormento tão grande que não é possível ser suportado por qualquer mortal. Não conseguem prendê-lo, mas não o poupam, querem afasta-lo de 2018 e, para tanto, injetam diariamente doses de veneno para que sua morte pareça natural, como a de Dona Marisa Letícia.