Do pouco que estudei sobre história das religiões, especialmente das cristãs, lembro-me de que na Igreja Católica, Santo Agostinho defendia que somos sujeitos à vontade de Deus e que, mais tarde, Santo Tomás de Aquino interpretou que Deus nos concedeu o livre arbítrio, cabendo a nós decidir o que desejamos fazer e ser. Em relação às Igrejas Evangélicas, não obstante exceções, a concepção é de que a vontade de Deus prevalece, portanto assemelha-se à concepção agostiniana: tudo o que nos ocorre está diretamente ligado à vontade divina.
Na história, assim como nas religiões, existem várias concepções para explicar o que nos acontece. Uma delas é de que somos sujeito da história, ou seja, eu, você, nossos filhos e netos, fazemos o acontecimento histórico. Mas esse nosso fazer encontra-se com as circunstâncias existentes, que se constituem nos fazeres de outros indivíduos. Quer dizer, não fazemos a história exatamente da maneira como desejamos, pois existem outros sujeitos fazendo história, o que acaba gerando as contradições que movem a sociedade.
Poderia ter tomado outros exemplos para demonstrar que o sujeito da história é capaz de sobrepor-se às circunstâncias, mas fiz questão de relatar os embaraços em se abrir um único curso para comparar com as dificuldades para se conseguir uma Universidade, a exemplo da UEMS e da UFGD Quantas outras experiências, ainda maiores nesse sentido, poderíamos mencionar? Quantos esforços, quantas grandes lutas coletivas vitoriosas, seja para pôr fim a uma ditadura, seja para a conquista de direitos para minorias ou para os trabalhadores em geral?
Atualmente no Brasil existem várias forças antagônicas construindo a história. Temer é sujeito da história, o Congresso Nacional é sujeito da história. Lula também é protagonista, assim como Moro, Janot, Fachin, Gilmar Mendes. Não olvidemos os sindicatos e os movimentos sociais, nem nos esqueçamos de nós próprios, o povo. Somos todos sujeitos da história, encarando circunstâncias às vezes adversas, mas cada grupo com um olhar na busca de solução.
Digo cada grupo porque, nós, indivíduos, somos ao mesmo tempo produtores e produtos de processos sociais, educacionais e culturais que nos levam a pensar e agir de tal modo que nos organizamos coletivamente, seja em igrejas, sindicatos, entidades, partidos políticos. No Brasil atual os governantes formam o grupo que defendo o neoliberalismo, quer privatizar para resolver a crise. Por outro lado, a oposição forma o grupo que pensa encontrar a solução de nossos problemas no Estado de Bem-Estar Social.
Essas expressões diferenciadas, defendidas não somente pelos políticos, mas por todos nós, constituem-se nas contradições internas de nossa sociedade e que, em última análise, determina a nossa história.
Todos nós, os que falam e os que se calam, somos responsáveis pela construção de nossa história. Particularmente estou entre os que acreditam que um mundo melhor é possível e que os governos são constituídos não para vender as riquezas do país, mas para distribuí-las de forma mais igual.
Publicado em "O Progresso" 02/09/2017