Se a memória não me falha o primeiro projeto para a implantação de uma ferrovia ligando Dourados ao Porto de Paranaguá foi elaborado no início da gestão do prefeito Luís Antonio Alvares Gonçalves (1983-1988), coordenado pelo professor Lauro Joppert Swensson, atualmente aposentado pelo CEUD/UFMS. Naquela época o projeto não saiu do papel, aliás passados mais de trinta anos, esse sonho ainda não se transformou em realidade. Quem sabe agora, com a audiência que a prefeita Délia Razuk teve com o governador do Paraná, (re)inicie-se novo planejamento para essa importante obra.
O próximo passo após esse encontro com Beto Richa, será no dia 16 de outubro na sede da Associação Comercial e Empresarial de Dourados – ACED . Segundo o Jornal “O Progresso” deverão se fazer presentes a prefeita de Dourados, os governadores de Mato Grosso do Sul e do Paraná, um representante da Agência Nacional de Transporte Terrestre – ANTT – dentre outros órgãos.
O Secretário de Planejamento da Prefeitura, José Elias Moreira, com a sua larga experiência em órgãos públicos, inclusive na qualidade de prefeito de Dourados, sabe da importância que tem essa ferrovia e por isso afirmou ao “O Progresso” que “Mato Grosso do Sul tem todo interesse no projeto e vamos fazer o que estiver à altura para o projeto caminhar”.
Essa meta de ligar Dourados a Paranaguá não é fácil, bem o sabemos, no entanto é preciso acreditar. O Brasil ao longo de sua história tem apresentado pouco interesse pelo transporte ferroviário, não obstante ser notório o barateamento do frete que ele proporciona. Mês passado, li que o preço do saco do milho em uma cidade de Mato Grosso estava cotado em R$ 10,40 (dez reais e quarenta centavos) e o frete por saca em R$ 16,00 (dezesseis reais). Pode ser uma aberração dessa natureza? Não é crível que não haja mais no Brasil uma política de preço mínimo para os produtos agrícolas, o que gera uma distorção tão grande a ponto de o frete ser praticamente 60% mais caro do que o próprio produto.
A grande contradição é que os melhoramentos genéticos, a adubação química e o aprimoramento no combate às pragas provocam a superprodução e a consequente baixa dos preços, a tal ponto que o produtor não consegue pagar o custo da produção. Por outro lado, ainda há fome no mundo. Mas esse é outro assunto.
Durante a crise do petróleo iniciada em 1973 e até 1978, o governo brasileiro incentivava a viagens em ônibus. Claro que quanto menor o número de carros na estrada menor o consumo de combustível, mas a verdade é perdemos nessa época, pela enésima vez, a oportunidade de incentivarmos a construção de ferrovias.
Em 1972 vivi uma experiência extremamente diferente em relação aos meios de transporte que conhecia até então. De Campo Grande, com parada em Itahum cheguei em Ponta Porã, acomodado na velha litorina, também chamada de automotora. Que beleza de viagem! Hoje, desde que haja trilhos uma litorina pode ser extremamente confortável e bela.
Quando de minha gestão como vereador de Dourados (2001-2004) foi a litorina quem me inspirou a encaminhar ao governo de nosso estado uma indicação para a construção do “trem universitário”. Àquela época o projeto Dourados Cidade Universitária caminhava a passos largos e um dos nós era o transporte dos alunos. O Secretário de Infraestrutura do governo Zeca muito gentilmente respondeu à minha demanda dizendo que o “trem universitário” somente seria viável se um ramal da ferrovia passasse por Dourados.
Quando o ex-governador Puccinelli prometeu fazer a Rodovia Guaicurus idêntica às rodovias suíças novamente propus que se deixasse no centro da rodovia um espaço para a passagem do trem universitário. Coisa de louco, entenderam, e nada foi feito nesse sentido. Quem sabe se com a viabilização da ferrovia o “trem universitário” também será lembrado.
Deixando de lado o sonho do trem universitário, um verdadeiro metrô de superfície e voltando à ligação Dourados-Paranaguá, deve-se salientar que a viabilidade econômica dessa ferrovia é incontestável e que esforços para a sua implantação não foram poucos. Pesquisa no Google aponta trinta e quatro mil referências a esse projeto.
A mim resta desejar sucesso à prefeita e a todos os que nesse momento, tão difícil da vida nacional, ousam acreditar que esse projeto é possível.
Publicada em “O Progresso” em 30 de setembro de 2017.