Quando visitava vô Luís, em seus últimos anos, me dedicava a ouvi-lo. Repliche Orologi Orologi Repliche Suas histórias agradavam a ambos, a mim para saber minhas origens e homenagear a sua caminhada, a ele porque tinha um ouvinte atento que dava importância aos seus relatos.
Se foi o avô e vieram os relatos de meu pai que, quanto mais velho, mais repetia histórias de vida, músicas e piadas. Seus relatos iniciavam-se por um “já te contei”? Havia contado, mas eu fazia de conta que não. “Repetitio est magister studiorum” (a repetição é a mestra dos estudos). Assim, dada a repetição, eu gravei muita coisa.
Hoje, já beirando os setenta anos, velho,Tag Heuer Replica Cheap Replica Watches Omega Deville Replica portanto, fico pensando na possibilidade de meus netos sentarem-se comigo para observarmos a Lua e eu repetindo os ensinamentos de meu pai. Rio, só ao imaginar eles atentos e eu dizendo-lhes: “Observem que existe um arco de nuvens bem próximo da Lua, sinal de que a chuva está longe. Se o arco estivesse longe a chuva estaria próxima. Vejam que a Lua está com a boca para cima, portanto não haverá chuva brevemente, se a boca da Lua estivesse para baixo seria chuva na certa”.
Eu nem ousaria ensinar-lhes essas coisas, eles pegariam o celular e em alguns segundos me diriam se iria chover, quando, onde, e quantos milímetros. Nem aquelas histórias infantis que eu adorava ouvir ouso contar-lhes. Imagine se eu dissesse a uma criança que a Cuca vem pegar. Atirar o pau no gato, nem pensar. Branca de Neve atualmente poderia ser vista como uma sedutora de anões e o Lobo Mau um pervertido pedófilo.
Em meus tempos de criança também existiam Cheap Cartier Replica Cartier Replica uk músicas infantis politicamente incorretas, a exemplo de uma que dizia que papai dormia “no chão do Paraguai” (lembranças da guerra) ou aquela que contava da morte e o sepultamento da mãe de uma criança: “Console Alzira console, console faz como eu, console Alzira, console, que a nossa mamãe morreu”.
Bem, mas não desejo falar no que era ou é politicamente correto, o que, aliás, seria um bom caminho, pois admiro-me de tanto besteirol nesse sentido, especialmente em relação às Artes. O que quero é realçar as dificuldades de comunicação entre um mundo de trinta ou quarenta anos atrás com o dos dias atuais, porque as transformações nesse ínterim foram vertiginosas, a ponto de os velhos não serem mais úteis sequer para contar histórias infantis. Não há mais espaço para bosques, sacis, mulas sem cabeça ou carneirinhos indefesos, o mundo infantil está ocupado por monstros superdimensionados e super-heróis capazes de prodígios antes inimagináveis.
Nessas circunstâncias, duas questões me ocorrem: o papel dos velhos na sociedade contemporânea e qual o destino das crianças que não tem mais nos idosos, nos próprios pais e até mesmo na escola, a fonte principal de aprendizado.
Nos anos 60, em relação aos jovens, falava-se em conflito de gerações. E atualmente, o que poderemos dizer? Que existe um conflito entre adultos e crianças? Entendo que o conflito de gerações se dava principalmente porque pais menos escolarizados não compreendiam a evolução dos jovens mais esclarecidos. Mas são justamente esses jovens “mais esclarecidos” os pais da atualidade. Esses pais passaram a lidar melhor com o que os seus pais não admitiam, como o sexo antes do casamento e a homossexualidade, mas será que conseguem admitir coisas completamente novas na formação de seus filhos? Será que haverão de reprimi-los ou aprenderão com eles?
Os pais atuais estabelecem limites no uso do celular assim como os pais dos anos 60 limitavam os horários de volta à casa. Mas nunca o futuro foi tão incerto. Que mundo novo será construído por nossas crianças?
Historiador que sou, alegro-me com as visitas de estudiosos que buscam as minhas memórias de acontecimentos do passado recente para os seus trabalhos, mas não suportaria mais o exercício permanente do magistério. A memória dos professores velhos falha, assim como fracassa a força muscular do velho operário.
Que papel cabe aos velhos e às crianças? Aos velhos, creio, uma aposentadoria digna para contarem de seus tempos, de modo que se compreenda as transformações e humanizem o futuro. Às crianças deve-se dar muito amor e compreensão para que, ao transformarem radicalmente o mundo, o façam para melhor. Que os robôs não os destrua, mas que plantem árvores e cuidem das águas.