O desejo de voar como os pássaros acompanhou a humanidade por séculos e séculos e constitui-se em longa história de fracassos, até que foi inventado o balão propulsionado por ar quente, depois o dirigível e por fim o avião. Dois brasileiros destacaram-se na arte de voar, o primeiro foi Bartolomeu de Gusmão (luso-brasileiro) que conseguiu fazer um balão de papel grosso flutuar alguns metros acima do solo em 1709, o segundo foi Santos Dumont que em 23 de outubro de 1906 conseguiu fazer com que o 14-bis sobrevoasse ao redor da Torre Eiffel.
Significa dizer que os brasileiros somos pioneiros quando se trata de voar, embora nos Estados Unidos os irmãos Wright é que são reconhecidos como os pais da aviação. O assunto é polêmico, não vou entrar em detalhes, apenas mencionar que a “briga” entre brasileiros e norte-americanos pela utilização do espaço aéreo é grande, é antiga e, por incrível que possa parecer, continua na atualidade, como veremos.
Em setembro de 2017 o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso declarou à Justiça que desde 2002 a Força Aérea Brasileira desejava a compra de caças Gripen, fabricados na Suécia e que somente não efetuou a negociação por estar em final de mandato e não querer deixar a conta para o seu sucessor. Mas, como diria minha avó, nesse angu tem caroço. Qual o governante que não deixa conta para o sucessor? Será que FHC não teria recebido pressão dos Estados Unidos para comprar os caças norte-americanos ao invés dos suecos?
Durante os oito anos de mandato do ex-presidente Lula a compra dos caças, tão necessários à nossa força aérea, também foi postergada. Se o governo Lula foi economicamente bem-sucedido, se as nossas reservas cambiais ultrapassavam àquela época os 350 bilhões de dólares, coisa jamais vista, por que os caças não foram comprados? Teriam os Estados Unidos novamente influenciado nessa decisão?
Coube à presidente Dilma o ato corajoso, de comprar os caças suecos. Eles apresentavam uma vantagem enorme em relação aos concorrentes: a transferência de tecnologia para a Embraer. Por via de consequência, a nossa empresa, a terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo, tornar-se-ia também promissora produtora de aviões de guerra. Os Estados Unidos ficaram magoados. Como o seu eterno quintal haveria de ousar concorrer com eles? Hehe, fico eu pensando que um dos motivos da queda da presidente Dilma não foram pedaladas, mas essa voada que ela ousou dar.
Diz o dito popular que a vingança é prato que se come frio, mas os gringos não esperaram muito. A presidente Dilma foi substituída pelo vendilhão da pátria, o temeroso, que não tem escrúpulos em entregar a Embraer à Boeing. Esses americanos! Além de ficarem com uma das maiores fabricantes de aviões do mundo, herdam também a tecnologia sueca dos caças Gripen.
Dá para entender o porquê dos governos golpistas, como os militares de 1964, ou a quadrilha de 2016, tiram do currículo escolar disciplinas tais como a sociologia, filosofia, história, geografia, matérias que formam cidadãos pensantes? É óbvio, não é? Tudo para provocar a alienação de nosso povo.
Hehe, se existe vida além-túmulo, Bartolomeu Gusmão, Santos Dumont e Ozires Silva, este cofundador da Embraer em 1969, devem estar esperando o vampirão brasileiro para arrancar-lhe os caninos. Nem quero estar por lá para ver esses três pioneiros brasileiros correndo atrás do temeroso e gritando: quadrilheiro, vendilhão, sugador do sangue dos brasileiros. Hehe, parece que só mesmo haverá justiça em outro mundo.
Por outro lado, William Boeing, que em 1916 fundou a empresa que leva o seu nome, falecido em 1956, deve estar sorridente, se é que no outro mundo se sorri. Norte-americano poderoso ri à toa, principalmente de nós brasileiros. Ora vejam, deve ter se perguntado: por que chorar por não vender meia dúzia de caças ao Brasil, se podemos comprar a fábrica inteira? Tem que ter outro mundo. Eu já disse e repito, se não houver céu eu embirro e não morro, mas estou desconfiado que os golpistas acham que não tem, afinal como poderiam cometer tantos malfeitos?
“Lá vai o avião, lá vai ele rom, rom, rom”, cantava a tia Cida para mim, quando criança. Lá vai o avião... lá vai a fábrica do avião... lá vai a tecnologia e a soberania. Lá vai meu Brasil.
E tem quem aplauda.
Lá vai o avião
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