Somente a partir da Constituição de 1988 é que o funcionalismo público pôde se organizar em sindicatos, por isso que o SIMTED nasceu em forma de associação: Associação Douradense de Professores [ADP]. Na próxima segunda-feira, 7 de maio de 2018, o SIMTED completará 40 anos, um bom momento para refletirmos sobre o papel exercido pelo sindicato nessas últimas quatro décadas.
Em 1978 os professores deparavam-se com problemas de toda ordem, ressaltando-se 1) a existência de governantes descomprometidos com a educação; 2) grupos de professores conservadores, organizados em associações tradicionais, a exemplo da Associação campo-grandense de Professores; 3) o enraizado conceito de que o magistério era um sacerdócio ou uma fonte de complementação da renda familiar, o que justificava os baixos salários e a precariedade contratual; 4) ausência de consciência de classe.
Decorridos 40 anos, no que diz respeito à relação entre governo e magistério, tivemos pontos luminosos nos governos Lula e Dilma, Zeca no MS e Tetila em Dourados. Fora desse período, o magistério está sentindo o salário evaporar-se, a democracia desaparecer de dentro das escolas, disciplinas de humanidades e sociais serem excluídas dos currículos. Não fosse o Sindicato, já teríamos regredido às condições existentes no início dos anos de 1970.
Com o golpe de 2016 o Ministério da Educação está tomando medidas que levam ao sucateamento das universidades públicas e encorajam estados e municípios a promoverem a terceirização do ensino. Já voltou a ser comum ouvir-se que o magistério é um sacerdócio, significando: “aguentem os salários e as péssimas condições de trabalho, você é professor porque quis”.
Claro que esse conceito já não é incorporado pela categoria do magistério. Ser professor é ser um profissional, um ente que trabalha na formação da cidadania. Evidentemente o bom profissional põe amor em seu trabalho, o que não enseja dizer que seja um sacerdote.
Não sendo sacerdote, o professor não pode ser doutrinador, mas sim aquele que educa para a liberdade; liberdade para refletir, para saber ler o mundo, ter as suas opções de vida, suas crenças, suas ideologias. A propagação da chamada “escola sem partido”, na verdade esconde o objetivo real do governo atual em gerar uma escola acrítica. A sala de aula deve ser defendida pelo Sindicato como um ambiente sagrado em que o professor tem a obrigação de expor e discutir as várias teorias sobre um mesmo determinado assunto.
Quanto à existência de grupos conservadores houve significativo avanço, já não se cogita a volta ao sindicalismo antigo, ligado ao poder, não há ambiente para a criação de uma associação paralela como aconteceu no governo Pedrosian, em 1981. Mas isso não quer dizer que não se verifique ainda a existência de professores com ideias antigas, por falta de consciência de classe.
Creio que a questão da consciência de classe é questão séria. A elite dominante mistificou de tal forma a classe trabalhadora - e dentro dela a categoria dos trabalhadores em educação - que, salvo uma vanguarda mais politizada, não consegue enxergar-se como elemento transformador da sociedade e, por isso, reproduz a ideologia dominante. Trabalhar essa questão e fazer do magistério o grande transformador da realidade social, é, no meu modo de pensar, o grande desafio do SIMTED.
Em 1978, os professores douradenses foram pioneiros na construção do novo sindicalismo e embora sem contatos diretos com o que ocorria no ABC paulista, houve uma sincronia na luta por melhores salários, por condições dignas de trabalho e pela redemocratização do país.
A ruptura democrática, ocorrida em 2016, traz à tona novas preocupações à classe trabalhadora e o Sindicato deve estar atento, inclusive porque a privatização do ensino está em curso. A elite, que pode arcar com até 10 mil reais mensais, para um filho, nas escolas de ensino fundamental e até 15 mil nas de curso superior, provoca um apartheid social. Quanto aos trabalhadores já se ensaia em vários estados a terceirização do ensino, o que levaria à formação de cidadãos de segunda classe.
Parabéns ao SIMTED, mas a luta continua, o Sindicato é uma construção coletiva: quantas décadas ainda serão necessárias para a construção de uma sociedade mais justa, mais fraterna e mais igual?