Juca Chaves fez uma paródia da música “lé com lé, cré com cré”, cantando: “Esso, Shell, Esso, Shell, e o Brasil por beleléu // Quem disse meu amigo que o Brasil é lusitano, foi inglês e agora digo que já é americano. ” Pois é! Desde a sua independência os Estados Unidos sempre tiveram ambição imperial: crescer, conquistar, aumentar domínios, impor-se sobre os demais. Depois de transformar-se na maior potência econômica mundial, após a Segunda Guerra Mundial, aí então o imperialismo ianque se fez sentir mundo afora. Mete-se em todo o canto, principalmente onde houver petróleo.
Onde encontrar a origem da gana imperialista norte-americana?
Há quem diga que o Brasil se tornou país de Terceiro Mundo devido a sua formação histórica. Os portugueses teriam mandado para cá o que tinham de pior em suas terras e com isso começamos tão mal que ainda não nos recuperamos. Penso que essa tese é absolutamente equivocada. Se desde a vinda de Cabral já ficou por aqui um degredado, não significa dizer que na sequência vieram apenas malfeitores. Muitos e muitos fidalgos, segundogênitos, de famílias nobres sem terras no pequeno reino de Portugal vieram para o Brasil, em busca de melhor fortuna. As riquezas, é bem verdade, eram mandadas para a metrópole, mas a cultura, a alma latina, ficava para nós.
Muito mais tarde, quando portugueses e espanhóis já estavam estabelecidos no Sul, é que os ingleses, aportaram na América.
Não sou especialista em história norte-americana, mas quer me parecer que a origem do modo de ser dos americanos está vinculada à sua formação. As perseguições religiosas promovidas pelos anglicanos, a forte ditadura da dinastia Stuart, a crise socioeconômica provocada pela expulsão dos pequenos camponeses de suas terras, quando se deu o “cercamento” dos campos [enclousures], foram os fenômenos que impulsionaram a vinda dos ingleses para a América. Esses “cercamentos”, é bom lembrar, puseram fim ao uso comum das terras, ou seja, eliminaram o modo de produção feudal e deram início à Revolução Industrial.
No Novo Continente esses migrantes talvez tenham trazido um pouco do espírito conquistador dos anglo-saxões, um tanto do capitalismo comercial e o embrião do capitalismo industrial que já ia se implantando na Inglaterra. Vieram para competir entre si, sem a ação direta do Estado, como foi o caso português. Quem não se lembra da conquista do Oeste, quando era preciso chegar primeiro, ocupar os melhores lotes, matar índios se aparecessem para impedir-lhes o caminho?
Esse espírito do “eu faço”, “eu conquisto”, “eu tenho mérito, e se não tiver a culpa é minha”, gerou um imaginário que mesmo os mais pobres, os desassistidos, entendem que o sucesso ou frustração de cada um é algo pessoal. O individualismo é a tônica. Mesmo a assistência à saúde não é, para eles, obrigação do Estado e sim problema de cada um. A exceção deu-se somente para a superação da crise de 1929, quando o Estado interveio fortemente para superar aquela grande depressão.
A elite norte-americana, nascida dentre esses imigrantes, e estabelecida em famílias poderosas até os dias atuais, se apoderou do poder político e levou à Casa Branca a ideologia capitalista e o modo de ser imperialista.
Para imporem-se os Estados Unidos utilizam-se de uma estratégia perversa que é o bloqueio comercial aos países que resistem às suas regras. Assim é com Cuba, Venezuela, Irã, Coréia do Norte, só para citar alguns exemplos. Essa estratégia é extremamente persuasiva, inclusive porque os Estados Unidos usam [o termo é esse] países aliados para ajudarem na pressão, caso específico da Venezuela, em que, por exemplo, o vice-presidente, Mike Pence, veio pessoalmente transmitir as ordens de Washington para Temer: "endurecer em relação a Venezuela".
Temer curvou-se vergonhosamente, quando deveria ter ao menos perguntado sobre as nossas crianças aprisionadas em gaiolas. O Paraguai já havia se curvado desde a deposição de Lugo, e agora, vergonhosamente, seguiu o exemplo de Trump e mudou a sua embaixada para Jerusalém. A Argentina já entrou para o clube do FMI. Assim vai se restabelecendo o domínio sobre os latino-americanos e o Brasil, que despontava como uma grande potência, sem uso da força, mas utilizando-se do poder brando [soft power] apequenou-se.