É sabido: pela escassez de caça e frutas em determinado local, deram-se as primeiras migrações da humanidade. Comunidades primitivas somente se fixaram à terra assim que animais e sementes foram domesticados. Mas, muitas vezes vinham as intempéries e as pragas provocando novas ondas migratórias. A solução foi o estabelecimento do comércio para que locais afetados pela produção de alimentos fossem supridos por outras regiões. Não há um só Continente que não tenha passado por esse fenômeno das migrações e, em cada estágio civilizatório, sempre se procurou resolver essa questão sem, no entanto, nunca se ter conseguido.
A Europa [entre o terceiro e quinto séculos] sofreu uma migração intensa de povos: as “invasões bárbaras”. Bárbaros para os romanos eram os povos que habitavam além dos limites do Império, não importando o nível civilizatório. Enquanto as legiões romanas eram poderosas as invasões eram evitadas à força, quando se enfraqueceram começaram a pagar para que tribos bárbaras defendessem o Império contra o ataque de outras tribos. Assim os bárbaros foram penetrando no Império, o que se convencionou chamar de “invasões pacíficas”. Essas “invasões não passaram de uma grande migração de povos pela Europa.
Quando os hunos migraram, foram causando uma onda de deslocamentos de povos temerosos de seus ataques. Alanos, suevos, godos, visigodos, ostrogodos, francos, vândalos, foram alguns desses povos que se deslocaram e acabaram forçando os limites do império. Percebendo a fraqueza romana, tomaram as suas cidades e formaram reinos autônomos. Nesse caso, como a cultura romana era superior, os bárbaros acabaram romanizados e os reinos por eles implantados deram origem aos atuais Estados Europeus.
A América pós-colombo recebeu ingleses perseguidos por motivos religiosos, portugueses aventureiros, holandeses e franceses ávidos por enriquecimento, enfim, o que se chama de colonização da América, não deixa de ser também um grande movimento migratório.
Outra grande vaga migratória que também serve de exemplo ocorreu no final do século 19 [desemprego na Itália, Japão, Líbano e Síria] e se prolongou até a metade do século 20 [guerras Europeias].
Em resumo, a fome, a peste, a guerra, são os motivos mais importantes que levam populações a se deslocarem dos locais onde sofrem esses flagelos, para regiões ricas ou, ao menos, promissoras.
Atualmente a Europa Ocidental recebe grandes contingentes de migrantes refugiados. Na América, os Estados Unidos e, em menor escala, Canadá, Brasil e Chile também são alvo de migrações, oriundas da América Central e da Venezuela.
Quando o número de emigrantes é pequeno, não há problema para que essa população seja absorvida, mas quando o número aumenta consideravelmente causa algumas preocupações que os governantes tentam resolver, cada qual a seu modo.
A Alemanha e a França até pouco tempo absorveram bem os emigrantes que recebiam, mas tudo indica que houve mudanças e que, principalmente na Alemanha, forma-se uma oposição muito forte, especialmente com o recrudescimento do fascismo. A Itália, recentemente mudou a sua política de acolhimento e proibiu a entrada de novos emigrantes. Agora a Espanha está sendo a receptora, mas não se sabe até quando.
Os Estados Unidos, com Trump, toma medidas austeras contra os emigrantes, algumas delas chegam a ser odiosas, como a separação dos pais de seus filhos.
Se, como disse, o Império Romano resistiu o quanto pode às invasões bárbaras utilizando-se de suas poderosas legiões, os Estados Unidos, na conjuntura atual não podem utilizar o poder das armas para impedir a entrada de estrangeiros, mesmo porque quem para lá se dirige não vai armado.
E que dizer da construção de um muro separando os Estados Unidos do México? Não creio que por mais alto e largo que seja um muro, a migração seja interrompida, especialmente se a situação mexicana e dos países centrais e sul-americanos for agravada pela pobreza. Um túnel, a dinamite ou mesmo uma catapulta resolve.
Não tem jeito, migramos para comer e viver. Não será a espingarda que resolverá a situação de migrações. Soluções bélicas provocariam tão somente banhos de sangue. É preciso urgentemente combater-se as desigualdades. As riquezas que a humanidade produz não pode ficar tão concentrada nas mãos de poucos.