Uma visita à Cidade Universitária de Dourados inspirou-me essa crônica. Avalio que Dourados passou por três arrancadas de desenvolvimento: a implantação da Colônia Agrícola Nacional [CAN]; a expansão do cultivo da soja [anos de 1970] e a implantação do polo universitário, especialmente com a Universidade Federal da Grande Dourados e UEMS, porque além de contribuírem na formação de profissionais de diversas áreas do saber, como fazem as instituições particulares, produzem pesquisas [98% das pesquisas]
Outros fatores também foram importantes, a exemplo do PRODEGRAN [Programa Especial de Desenvolvimento da Grande Dourados – 1976], mas estou referindo-me a motores de arranque para o desenvolvimento, fatores que impulsionaram outros eventos importantes. Mas vamos à visita que fiz.
Meu objetivo era uma pesquisa no Centro de Documentação Regional, órgão criado em 1983 e que atualmente reúne milhares de documentos, grande parte já digitalizados e disponíveis aos pesquisadores do Brasil e do exterior. No trajeto fui visualizando cada espaço, o anfiteatro, um cartão de visita, depois, na avenida principal, à esquerda os prédios da UEMS e à direita os da UFGD. Duas instituições públicas de ensino, abrigadas em um mesmo espaço físico. Coisa inédita.
Poucos sabem que a UEMS foi edificada naquele espaço porque a ideia era unir CEUD e UEMS para a criação da UFGD. Ocorreu que a UEMS se consolidou, criou uma identidade própria e percebeu-se que as duas instituições juntas seriam mais fortes e mais importantes para a região. Então foi elaborado o projeto Cidade Universitária, que permitiria não somente o compartilhamento do espaço, mas também a cooperação mútua em todos os níveis de ensino, pesquisa e extensão universitária. Deu certo, muitos projetos foram desenvolvidos conjuntamente, inclusive a colaboração da UEMS [especialmente da Enfermagem] na criação do curso de Medicina na Federal foi importante.
A imponente biblioteca domina o Centro da Cidade Universitária. Nela se pode encontrar respostas para todas as áreas do saber humano. Visita-la, visualizar a sua arquitetura, pesquisar em seus ambientes, vale por si só, mas visitar o restante da Cidade, com os seus prédios destinados ao ensino, seus laboratórios, seus canteiros experimentais, é de encher os olhos.
Visitando a Cidade Universitária de Dourados, pais e avós não podem deixar de suspirar e sonhar que os seus filhos e netos poderão um dia estarem lá, estudando, pesquisando, aspirando por uma profissão que lhes dará a possibilidade de crescerem individualmente e também participarem da construção de um mundo melhor.
Conforme o prédio podemos encontrar em uns o burburinho de alunos e professores em suas aulas, funcionários atendendo incansavelmente a todos; em outros nos deparamos com o silencio, nesses locais se encontram os gabinetes de professores, onde mergulham em estudos, reflexões e desenvolvem projetos, cada qual em sua área de saber.
A UFGD, em especial, nos seus nove primeiros anos de existência, agigantou-se, sua edificação movimentou a construção civil de Dourados, as empresas prestadoras de serviços cresceram, o comércio movimentou milhões. Depois, principalmente a partir de 2016, várias obras foram paralisadas, visualizei ao menos seis esqueletos enormes de edifícios. As verbas minguaram, não só para a Federal do Rio, que teve o Museu em chamas nesse mês, mas também para todas as Universidades Públicas Federais.
De qualquer forma, na UFGD são mais de 600 professores, maioria com doutorado, quase 8 mil alunos e mil funcionários técnicos e administrativos. São 12 faculdades com 34 cursos presenciais de graduação, 16 especializações, 21 programas de mestrado e 9 de doutorado [sem contar com o ensino a distância] E ainda sem enumerar os funcionários e médicos do Hospital Universitário que atende a toda a região com exclusividade para o SUS.
E nem falei do prédio da Reitoria, da fazenda experimental, da editora, do arquivo institucional, da casa do estudante, do restaurante... O bom mesmo seria o caro leitor fazer uma visita ao local e ao site ufgd.edu.br. Costumo dizer que a realidade de tornou maior que o nosso sonho no distante ano de 1982.
É de perder o fôlego e visualizar o futuro, raríssimas são as cidades médias que se tornaram polos universitários.