Escrevo esse texto antes de terminada a eleição para a reitoria da UFGD, mas, provavelmente, quando “O Progresso” estiver circulando hoje, já saberemos o resultado do pleito. Disse em outra ocasião que: “A eleição para a reitoria da UFGD é decisão interna, mas interessa diretamente a toda região onde está localizada, porque ela [UFGD] é produtora de ensino, de pesquisa, de extensão, de desenvolvimento científico, humanístico e cultural. Se o reitor(a) escolhido for um dirigente ativo, democrático e atue junto com as forças vivas da região, haverá uma troca de conhecimentos e ações enriquecedoras para ambas as partes”.
Para se ter ideia mais precisa sobre a importância dessa eleição, basta dizer que dos 79 municípios que compõe o Estado de Mato Grosso do Sul, apenas 40 têm maior número de cidadãos aptos a votar em relação à UFGD, com 10 mil eleitores. Significa dizer que assistimos nos últimos trinta dias a uma campanha contagiante, explosão democrática no universo universitário de nossa cidade. A participação dos acadêmicos, a imensa maioria [em torno de oito mil], constitui-se em aprendizado virtuoso. Técnicos-administrativos e professores, assim como os discentes, participaram dos debates, das reuniões e das conversas “olho no olho” com os candidatos.
Pela quantidade de votantes e pela qualidade da campanha, penso que as comunidades de Dourados e Região devem acompanhar com especial atenção o que se passa internamente tanto na UFGD, quanto na UEMS que, em breve, terá também eleição para a reitoria, esta envolvendo quinze municípios do Estado.
Nesse sentido, tomo a liberdade de demonstrar como é o processo de escolha do reitor(a), mesmo que tenha que “chover no molhado”, como diria minha avó.
Primeiro é feita a consulta prévia à Comunidade Universitária, conforme ocorreu ontem, dia 12/03/2019. Os três segmentos que compõe a Universidade [discentes, técnicos-administrativos e docentes] têm o mesmo peso na consulta. Cada qual 33,33%, ou seja, o voto é paritário, constituindo-se em notável avanço democrático, pois antigamente o voto dos docentes valia 70% e os outros dois segmentos somavam apenas 30%.
O resultado da consulta prévia é encaminhado ao Colégio Eleitoral, constituído pelos dois órgãos máximos da Universidade, o Conselho de Ensino, Pesquisa, Extensão e Cultura [CEPEC] e o Conselho Universitário [COUNI]. Esse Colégio Eleitoral é quem formula a lista tríplice, acatando o que foi determinado na consulta prévia, pois, afinal, quem permitiu essa consulta foram esses próprios Conselhos.
“Até aí o Laquicho vai bem”, mas, para essa eleição, há um componente novo. As três chapas concorrentes, ou por convicção própria, ou para atenderem ao apelo dos Sindicatos dos Técnicos-Administrativos e dos Docentes e do Diretório Central dos Estudantes, assumiram o compromisso de só permitirem a inclusão de seus nomes na lista tríplice [do Colégio Eleitoral] caso sejam a primeira colocada na consulta prévia. Fica explícito que os três nomes que comporão a lista serão da chapa vencedora.
Bem, mas a lista tríplice deve ser encaminhada pelo Colégio Eleitoral ao Ministério da Educação e deste ao presidente da República, que nomeará o Reitor(a).
Diz o anedotário que os políticos de Minas Gerais certa vez levaram uma lista tríplice para que Getúlio Vargas escolhesse o governador daquele Estado. Getúlio teria dito: “não dá para acrescentar nessa lista o nome de Fulano? ”. Claro presidente, responderam. Pois então ele está nomeado, disse Getúlio.
Daria para ser feito algo semelhante com a lista tríplice da UFGD? Poderia o presidente desrespeitar a vontade da maioria. Não creio, embora já tenha presenciado na UFMS e, especificamente no caso do CEUD, alguns casos anacrônicos dessa natureza, coisas do passado. Ninguém espera que essas anomalias de outrora se repitam. FHC [com raras exceções], Lula e Dilma sempre respeitaram a decisão da comunidade universitária, nomeando o candidato mais votado.
Que o pacto da UFGD seja respeitado e a chapa vencedora nomeada. É o mínimo que se espera de um país democrático. Não são os deputados, nem os senadores que escolhem o Reitor(a), mas a própria Comunidade Universitária, mesmo porque respeitar a vontade da maioria significa dar governabilidade à chapa escolhida.