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Logia, igual a estudo, portanto, futurologia é o estudo do futuro. Mas como se pode estudar o futuro se ele ainda não existe? Collingwood nos ensinou que a história é o estudo do passado para melhor compreendermos o presente e termos uma visão do futuro.
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Logia, igual a estudo, portanto, futurologia é o estudo do futuro. Mas como se pode estudar o futuro se ele ainda não existe? Collingwood nos ensinou que a história é o estudo do passado para melhor compreendermos o presente e termos uma visão do futuro. Uma visão, não significa dizer a previsão exata do que será o futuro, mas que é possível ao menos desenharmos um cenário para ele.
Em “Homo Deus: uma história do amanhã”, Yuval Harari traça um futuro sombrio para a humanidade prevendo que as máquinas [a inteligência artificial] se sobreporão aos seus criadores, mas um cenário muito mais otimista pode ser desenhado.
Fico imaginando se no futuro próximo não será possível chegarmos a um hospital e rapidamente termos um rim paralisado substituído por um artificial impresso em 3 D no próprio hospital. Impossível? Não, o Instituto Federal de Zurique já produziu um coração que palpita igual ao do nosso próprio peito. Em breve, ao invés de pedirmos um hambúrguer na lanchonete, poderemos fabricá-lo em nossa própria impressora. O motoqueiro entregador ficará sem trabalho, mas, em compensação, poderá produzir a sua própria moto, também em 3 D. E se fosse somente o motoqueiro a ser prejudicado com aquilo que chamamos de desemprego estrutural ainda vá lá, mas a evidência é que no futuro deverá haver uma mudança profunda no formato de trabalho. Saúde e Educação deverão ser as áreas mais privilegiadas; para o transporte, teremos carros automatizados que poderão ser de domínio particular ou público, mas eficientes, no atendimento das pessoas [nesse caso o usuário chamaria a central e assim como no atendimento do SAMU, o carro seria disponibilizado automaticamente].
No caso das melhorias na Saúde, quando tivermos próteses ou procedimentos com DNA que alongarão a vida humana, a pergunta que se faz é se no futuro estaríamos escapando da morte. Não creio, a vida muito longeva acabará sendo enjoativa. Quanto à Educação, chips tornarão as mentes humanas muito mais eficazes. Essa história de dizer que os robôs [a inteligência artificial] ultrapassarão a inteligência humana é balela, antes de os robôs chegarem ao nível tão elevado de conhecimento a ponto de comunicarem-se entre si e com os humanos, estes já terão implantado chips em suas cabeças que lhes permitirão sempre serem superiores aos robôs.
Grandes preocupações da humanidade atualmente são com relação ao clima, a água, a guerra e o câncer. Questões climáticas serão resolvidas com a conservação e ampliação de áreas florestais. Com o envelhecimento da população e redução da natalidade teremos, nos próximos cinquenta anos, uma redução dos habitantes da Terra e não haverá, por via de consequência, necessidade de expansão da área agricultável. Daí que muitas áreas hoje ocupadas pela pecuária e lavoura poderão voltar a ser utilizadas para as florestas. A água, um bem finito, poderá ser recompensada com a ampliação florestal, além de que poderá ser retirada da própria atmosfera ou do mar, pela dessalinização. Quanto às guerras, o mais provável é que acabarão, elas serão substituídas pela elevação da inteligência humana. Em relação ao câncer, a nossa maior preocupação atualmente é com os agrotóxicos, já que o uso do cigarro também será superado pela inteligência. Os agrotóxicos, se não forem totalmente substituídos por produtos naturais no combate às pragas, serão eliminados quando embalados em caixas capazes de absorvê-los.
Esse cenário otimista não é absurdo. Pele humana será impressa, assim como tecidos para as vestimentas, a realidade virtual poderá ser visitada por humanos, a comunicação poderá ser feita diretamente entre cérebros, sem auxílio da palavra, enfim, alguém que morrer hoje, se puder voltar daqui cinquenta ou cem anos, com certeza não conseguirá entender absolutamente nada. Ressalto que rupturas imprevisíveis poderão levar água abaixo as mais prováveis probabilidades para o futuro, no entanto, ele poderá ser maravilhoso.
De qualquer forma, estou convicto de que as máquinas não dominarão a humanidade por completo, serão subalternas, mas os homens diminuirão as desigualdades entre eles, de modo que não fiquem expropriados das maravilhas do futuro e, essa camada excluída, sujeita à dominação das máquinas? Haverá ainda explorados e exploradores?
Publicado em "O PROGRESSO" 03/04/2019
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