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É bem conhecida a tese poética de Antonio Machado, de que “não há caminho, o caminho se faz ao caminhar”, mas existe um trecho nessa obra que às vezes ignoramos: “Ao andar se faz caminho / E ao olhar para atrás / Se vê o caminho que nunca se deve pisar novamente”.
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É bem conhecida a tese poética de Antonio Machado, de que “não há caminho, o caminho se faz ao caminhar”, mas existe um trecho nessa obra que às vezes ignoramos: “Ao andar se faz caminho / E ao olhar para atrás / Se vê o caminho que nunca se deve pisar novamente”.
Que belíssima aula de história em um verso! Admiro os poetas, os historiadores, e sou um deles, buscamos a verdade, tentamos desvelar aquilo que está oculto nos discursos governamentais para ludibriar ou não o povo, estudamos religiões, folclore, memórias, revoluções, transformações sociais, mas temos que ser prolixos para nos fazermos entender. O poeta é sintético. Não adianta caminharmos fazendo o nosso próprio caminho senão olharmos para trás e verificarmos se o caminho que percorremos deverá ou não ser trilhado novamente.
Isso, como já disse, é história, história para ser compreendida, “a história é o conhecimento do passado para melhor compreensão do presente e para termos uma visão do futuro”, [Collingwood].
Embora particularmente possa aprender com o meu próprio caminhar, posso também em me socorrer com a história e escolher o caminho a ser percorrido. Olho para o escravagismo romano, para a servidão medieval, para as atrocidades cometidas para com os trabalhadores durante a Revolução Industrial, analiso o liberalismo econômico [de Adam Smith], o estado de bem-estar social [de Keynes], o socialismo [de Marx], e me pergunto: “caminhante, qual o caminho? ”
Particularmente trilhamos os nossos caminhos: acertamos, erramos, aprendemos ou insistimos em nossos erros, mas e coletivamente?
Em uma democracia os eleitores escolhemos os caminhos. Ludibriados ou não escolhemos. Às vezes, preocupados com os nossos afazeres assimilamos mentiras, conscientemente proclamadas.
Escolhemos as rádios que ouvimos, os noticiários televisivos que assistimos. Mas, ás vezes nem percebemos que muitas rádios e televisões se tornaram poderosíssimas porque se alimentaram de verbas governamentais a ponto de uma emissora de televisão, por exemplo, ter ganho de causa no Supremo Tribunal Federal para entrevistar Lula e, após vencer o pleito, autocensurar-se.
Bem, para mim, embora possa estar enganado, autocensura não passa de corrupção, de jabazeirismo [oba, inventei um neologismo para o jabá ].
Edição jornalística que só tem como fonte “O antagonista”, por exemplo, é jornalismo marrom. O jornalismo deveria ter como princípio básico a investigação, não se basear apenas em releases.
Voltemos aos caminhos e o que devemos escolher. O nosso atual governo, eu vos pergunto, deve ter olhado para a história e escolhido dentre os múltiplos caminhos, um deles para caminhar? Aparentemente escolheu o caminho neoliberal, que implica na privatização de todas as estatais brasileiras, na livre negociação entre empresários e trabalhadores, no unilaterismo, optando, preferencialmente por ter como parceiros os Estados Unidos e Israel.
Só isso?
Bem, espero que não nos iludamos com exportações de abacates, com Cristo em goiabeiras e mangas para alimentar o nosso povo. Se ficarmos com as mangas e os chineses com a soja e o restante do mundo com nossos minérios e petróleo, estaremos condenados a voltaremos a ser Colônia. E o endereço é certo: com o corte de 30% do orçamento das Universidades Federais, os nossos melhores cérebros serão recrutados por países desenvolvidos e as universidades públicas brasileiras, as maiores produtoras de Ciência no Brasil, passarão a ser simplesmente repassadoras de ensino. [A grande diferença das Universidades Públicas brasileiras é que produzem ensino, pesquisa [98%] e extensão].
Bom, mas os filhos de nossa elite [retrógrada] talvez voltarão a estudar na Europa e dizerem, como Gonçalves Dias: “minha terra tem palmeiras, onde canta o sabia...”
Pena, Emmanuel Marinho, que uma de suas obras primas não seja apenas a lembrança de um passado, mas a recrudescência de dias atuais: “Tem pão velho? “Não criança, tem o pão que o diabo amassou, mas não tem pão velho. Temos comida farta em nossas mesas .... mas não temos pão velho.”
A escolha é sempre uma questão muito difícil. Lamentável, como dizia a minha avó, que uns gostem dos olhos e ouros da ramela.
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