As primeiras manifestações em prol da UFGD deram-se no início dos anos de 1980. A ideia, tida como maluca, se transformou em sonho, em projeto e em realidade.
O Centro de Documentação Regional da UFGD possui grande acervo documental que retrata a movimentação em torno da criação da UFGD. Tão sonhada, foi a UFGD que 72 entidades douradenses constituíram um Comité em prol da “Cidade Universitária de Dourados”.
O sonho virou projeto. Dourados e Região abraçaram a causa e após 25 anos de persistência, em 2005, foi criada a nossa Universidade Federal.
A UFGD causou entusiasmo, a construção civil exultou, o comércio ampliou as suas vendas, a hotelaria expandiu-se, as livrarias reanimaram-se, a pesquisa, ensino e extensão oferecidos pela Universidade animaram tanto o ensino quanto os setores agropastoris e industriais. Movimentos culturais ganharam nova dimensão, com festivais de música, teatro, artes plásticas. Dourados transformou-se em avançado centro médico-hospitalar e o Hospital Universitário desdobrou-se para atender a região. Alunos de toda parte do Brasil [e estrangeiros] afluíram para Dourados, muitos com suas famílias. Professores doutores, altamente especializados, passaram a contribuir com os seus saberes para toda a região. E sem contar o volumoso orçamento que, direta ou indiretamente, contribui para o desenvolvimento de Dourados.
Intramuros da UFGD, o ensino de qualidade, a extensão desenvolvida e as pesquisas resultaram em avaliação positiva, tanto que durante anos seguidos foi considerada a melhor instituição de ensino superior do Estado. E o respeito à pluralidade, à diversidade e a prática da democracia fizeram com que a UFGD acolhesse em seu seio alunos, professores e funcionários de todos os matizes políticos e ideológicos, inclusive uns poucos extremistas de direita, com mentalidade bem próxima ao fascismo que atualmente ultrajaram a UFGD usando artifícios diversos para impedir a nomeação do candidato à reitoria mais votado.
A minoria, deve ser respeitada, mas não pode golpear a maioria, no entanto forças reacionárias de Dourados, movimentaram-se no sentido de desvirtuar o processo de escolha de reitor da UFGD. Contatos com políticos foram realizados, inclusive denúncias à senadora Soraya questionando a nomeação de um professor de esquerda para a reitoria. Entristece-me ver uma rádio douradense afirmar que houve fraude na eleição e que jamais se deveria empossar um reitor de esquerda.
FHC nomeava somente os primeiros colocados nas listas tríplices [a única vez em que foi nomeado o segundo colocado ele estava viajando e exercia a presidência Marco Maciel]. Lula e Dilma sempre nomearam o primeiro colocado, inclusive para a UFGD, com a nomeação da professora Liane Calarge. Esses presidentes jamais questionaram se o eleito era de esquerda ou de direita.
A judicialização do processo de escolha do reitor da UFGD, a partir do Ministério Público local, feriu gravemente a democracia e a autonomia universitária. O MP local aceitou uma denúncia esfarrapada, sabe-se lá de quem, acreditou nela e a encaminhou à Justiça que, liminarmente, suspendeu a lista tríplice, mas logo a seguir, julgado o mérito, decidiu por mantê-la, inclusive com a concordância do próprio MP, representado por outro procurador. Mas eis que o procurador que inicialmente acatou a denúncia [ignorando a unidade e a indivisibilidade do MP] recorreu em segunda instância onde, também em liminar, o juiz suspendeu a validade da lista. O mérito, espera-se, será julgado até o final desse mês.
A Justiça tardou em julgar e o mandato da reitora Liane expirou. Então, o Ministério da Educação, ao invés de solicitar um nome ao Conselho Superior da Universidade e nomear interinamente o indicado até decisão da Justiça, arbitrariamente nomeou uma interventora para a UFGD.
Ultrajada, a comunidade universitária indigna-se, movimenta-se, clamando por democracia. A Câmara Municipal, encaminhou carta [assinada pelos 19 vereadores], ao presidente da República, solicitando-lhe que nomeasse o primeiro colocado da lista tríplice.
A nomeação de uma interventora para a UFGD é uma afronta que não pode ser aceita. Somente o reitor eleito merece o respeito da comunidade universitária e da sociedade douradense.
Qualquer outra decisão é golpe, que desrespeita a própria Constituição.