Nesse mundão meio maluco, meio maravilhoso, onde uma surpresa sempre está pronta a nos fazer sorrir ou tremer, convivemos em constantes contradições que nos levam ao estresse e até à depressão. Não mais importa competir, a regra é vencer. A plutocracia que compõe os 2% dentre os mais ricos deseja ficar um andar acima, junto com a turma do 1%, em uma competividade tão desenfreada que não tem fim. Para obterem os seus fins, os meios já pouco importam.
Assim é a mentalidade da maioria, e o mesmo que se dá com as pessoas individualmente, dá-se também com empresas e com os estados. Pior é que essa característica não me parece ser somente uma praga do capitalismo, mas da mentalidade que dominou a própria história da humanidade. Basta lembrarmo-nos das guerras antigas, não à toa Roma destruiu Cartago, mas para assenhorear-se do Mar Mediterrâneo. Impérios possuem sempre a mesma sede de dominação, e é interessante notar que quanto mais decadente maior é a sua propensão em subjugar. Isso ocorre porque as crises que atingem e levam os impérios à derrocada, atingem por último a força militar. Haja vista as medidas que vem sido tomadas pelo imperialismo norte-americano, impondo cercos econômicos a quem não se submete aos seus apetites. Cuba, Irã, Coréia do Norte e Venezuela são exemplos clássicos dessa política.
Sofrem os povos desses países, mas não sofrem menos aqueles que se submetem, a exemplo do Brasil atual, que está perdendo as suas riquezas e a sua própria soberania.
É triste constatar que ao longo de nossa história fomos submetidos quase sempre a interesses imperiais. Até mesmo o uso da força bruta não foi descartado quando tentamos dar um rumo autônomo para a nossa economia. Em 1964, por exemplo, sob o pretexto de que estávamos expostos a um monumental perigo comunista, as forças armadas norte-americanas estavam preparadas para invadir o Brasil, caso os militares brasileiros não dessem conta de depor o governo de João Goulart. E logo após a queda do muro de Berlim, em 1989, sem a necessidade do uso do canhão, foi imposto a toda a América Latina o chamado Consenso de Washington, ou seja, a implantação do neoliberalismo econômico, que arrasou com o desenvolvimento do Chile e atingiu também o Brasil, especialmente durante os oito anos do governo de Fernando Henrique Cardoso.
É só um país ameaçar o Império que ele reage imediatamente, seja se essa ameaça for de ordem bélica, a exemplo da Coréia do Norte, seja de ordem econômica como foi o caso do Brasil. Não era diferente na época em que o Império Inglês dominava o mundo. A Guerra da Tríplice Aliança, por exemplo, revelou a pretensão inglesa de destruir a nascente industrialização paraguaia.
Impérios não gostam de concorrentes e, no caso do norte-americano especialmente, se o concorrente tiver petróleo. São os casos do Oriente Médio, da Venezuela e, atualmente, com a descoberta do pré sal, o do Brasil. A estratégia é não permitir avanços dos chamados países em desenvolvimento, as táticas são diversificadas. Quando a indústria bélica precisa vender mais nada melhor do que promover uma guerra, de preferência longe de seus domínios, guerra na América Latina, por exemplo, representa perigo de atrair para cá russos ou chineses, então, melhor o uso de outras formas de dominação, a exemplo de um golpe parlamentar para tirar do poder um governo progressista, ou a implantação de uma lava a jato, que elege como bode expiatório não mais o comunismo, mas a corrupção.
Quando aos objetivos do Império se alia a plutocracia interna, corremos o risco de perdermos a soberania, pois só não vê quem não quer, os alvos estão claramente expostos: fim do monopólio do petróleo com perda da tecnologia desenvolvida, falência das grandes construtoras, destruição da indústria náutica, expropriação da tecnologia desenvolvida pela indústria de aviação e no plano ideológico, a estigmatizacão de qualquer movimento de esquerda. Ainda não poderia faltar, como a cereja do bolo, uma base militar.
Para sustentação desse processo de dependência corremos o risco da implantação de uma ditadura e se resistirmos a esse estado de coisas corremos o risco de uma guerra civil.
Nesses casos extremos cabe lembrar que republicanos é o que somos, retaliações a estados e municípios são intoleráveis.
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