Eita! , No último domingo o Flamengo derrotou o Palmeiras pelo placar de três a zero. Resultado justo? Creio que sim, embora eu seja um desses palmeirenses que não perde um jogo e que torce e vibra. Os torcedores mais fanáticos poderiam dizer que o VAR detectou dois impedimentos milimétricos do Palmeiras e ignorou um penal a favor do Flamengo, e isso pode ter abalado o ânimo dos jogadores alviverdes. Mas, convenhamos, eu, que acompanho o Palmeiras desde criança, quando os meu tios me levavam para a Fonte Luminosa, em Araraquara, para assistir a gloriosa equipe da Associação Ferroviária de Araraquara e ver, pelo Palmeiras, os passos largos de Ademir da Guia e a sua absoluta e impecável sincronização com Dudu, e também um meio campista de Araraquara apelidado de Linguiça, além de Bazani, o maior ídolo da torcida araraquarense, penso que é preciso reconhecer que há algo errado com aquele que está tendo o maior plantel do Brasil.
A Ferroviária declinou, assim como as ferrovias brasileira, fruto de uma política que sempre privilegiou o automóvel e os caminhões. O Palmeiras, por sua vez, ao comemorar os seus cento e cinco anos de existência, cresceu, é o maior campeão brasileiro, embora tenha apenas um campeonato mundial, conquistado em 1951 e contestado inclusive pela própria FIFA, não obstante já tê-lo reconhecido.
Explicar o declínio da Ferroviária não é tarefa tão difícil. Ela está associada ao declínio das ferrovias brasileiras, no entanto, na administração Edinho, enquanto prefeito de Araraquara, a Ferroviária transformou a Fonte Luminosa em uma arena magnífica, desvinculou-se, não por querer, das contribuições dos ferroviários, mas com essas e outras, creio que a Ferroviária, dentro de alguns anos, estará novamente na elite do futebol brasileiro.
E o Palmeiras e a sua derrota por 3 a 0 contra o Flamengo?
Em minha opinião não é um técnico altamente especializado que faz um time vitorioso, nem sãos os melhores atletas, individualmente magistrais, os responsáveis pelas vitórias de seus times. Se assim fosse, a Argentina, com Messi, seria a mais vitoriosa das seleções.
O que faz um time vitorioso é a equipe. Felipão tem uma história fantástica, um excelente técnico, mas a sua estratégia principal era formar em campo uma “família”, seja no Grêmio, no Palmeiras e, principalmente da seleção brasileira, campeã em 2002.
Os tempos mudaram, técnicos que conseguiam montar equipes, quando nem sequer existia a Internet, atualmente encontram dificuldades. Dentro de um time de futebol pode haver um jogador líder, descontente com o técnico, capaz de promover inclusive a sua destituição. O plantel pode ser excelente individualmente, mas se não houver o espírito de equipe, ou seja, o entendimento de que há uma estratégia a ser seguida, de que há um objetivo a ser alcançado e, principalmente, se não houver solidariedade, nada feito. As melhores individualidades não formam equipes.
Mas não são apenas nas equipes de futebol que é necessário a formação de equipes. Isso deve ser a tônica na administração de qualquer empresa, por menor ou maior que seja. Equipe é aquela que consegue abraçar uma causa. Abraçar planejamentos estratégicos. Na administração pública não é diferente.
O presidente, governador ou prefeito, para formar uma equipe tem que ter alguns predicados fundamentais: humildade, para ouvir, dois ouvidos muitas vezes são melhores que uma boca. Significa dizer que o administrador não deve, jamais, iniciar uma reunião falando, mas ouvindo.
O bom administrador ouve e, ao final, decide, não pela sua vontade autoritária, mas por perceber, no conjunto das falas de seu secretariado, ou ministros, que a maioria pretende isso, não aquilo.
Pelé não foi escalado na seleção de 1958 por Feola, o técnico da seleção, mas por Nilton Santos e Didi. Grande Feola, humilde, e vencedor.
Pobres dos técnicos de futebol, que para encobrir os seus erros estratégicos buscam mais e mais contratações. Pobres dos administradores, que sem projetos que lhes norteiem administração, trocam secretários e ministros, na esperança de resolverem os problemas da administração.
Igualmente, pobres são os técnicos de futebol que trocam um jogador quando deveriam trocar o seu esquema.