Toda irreverência será castigada 8.03.2005 (dia internacional da mulher)
A palavra é ferramenta indispensável para os atores de várias atividades humanas. Na política, por exemplo, é instrumento fundamental, seja na tribuna, nas articulações de projetos ou alianças e também para as conspirações, conchavos e intrigas. Cada personagem utiliza-se da palavra para um fim, de acordo com os seus princípios ou conveniências. Os que fazem bom uso da palavra, conciliando-as com suas ações práticas, ou seja, aqueles que tem uma atuação notável no desempenho de suas funções públicas são considerados estadistas, os que não conseguem essa interação corrompem o próprio significado da palavra política.
A política é uma arte, a arte de bem governar os povos, embora tanto o Aurélio como o Houaiss insiram a política no campo das ciências, o que nos parece correto uma vez que quando se trata de estudar sistematicamente os fenômenos referentes ao Estado estamos fazendo Ciência.
Mas, voltando à arte de governar, convenhamos, em nossa cidade, nosso estado e em nosso país, temos muito bons políticos, embora não nos faltem também todos os tipos possíveis e imagináveis de políticos que nos causem verdadeira indignação. Às vezes somos muito exigentes com os políticos que nos representam, no entanto, o que seria o mundo sem eles? Dá para imaginar?
Certa feita, quando exercia o mandato de vereador (2001-2004), disse que, na Câmara travávamos de forma civilizada a guerra civil que se espalharia pelas ruas da cidade se não estivéssemos lá para representar os vários segmentos sociais.
Continuo pensando da mesma forma, embora reconheça que alguns segmentos têm representação de mais, outros de menos, principalmente a partir desse ano de 2005 em que o número de vereadores foi reduzido drasticamente. O que desejamos dizer é que, pelo menos na Câmara de Dourados, nunca vimos ou soubemos que algum tipo de reivindicação de segmentos sociais não tivesse sido encampado por algum vereador. Isso quer dizer que a sociedade tem voz, é representada, embora muitas vezes essa voz, essa representação possa não encontrar ressonância, possa constituir-se em clamor no deserto.
Considerando-se corretas essas nossas opiniões acima expostas, haveremos de concluir que todos nós, cidadãos, devemos nos empenhar para vermos fortalecido o sistema democrático representativo, de tal forma que possamos dizer com altivez que tal vereador, tal deputado ou senador nos representa verdadeiramente.
Para tanto ainda temos um longo caminho a percorrer, ainda temos que avançar muito, seja renovando as estruturas partidárias caducas, seja proporcionando o financiamento público das campanhas e estabelecendo a fidelidade partidária, seja avançando na democracia participativa e impedindo certos vícios como a compra de votos e o sufocamento daqueles que ainda têm a capacidade de se indignar e de serem independentes para ser voz na tribuna de todos os independentes e irreverentes que, felizmente não são poucos.
O autor é doutor em História Social
pela Universidade de São Paulo – USP