Caminha célere o processo de desmonte da UFGD, primeiro com a nomeação de uma interventora pelo Ministério da Educação, que rejeitou a lista tríplice após o Ministério Público denunciar que houve “fraude” na eleição. Agora, mais uma vez, sob alegação de “fraude” a interventora depôs a diretora da Faculdade de Educação, que aliás ela mesma, a interventora, havia nomeado, e em seu lugar colocou arbitrariamente um interventor, assim como ela.
Procurei me informar sobre o caso. Soube que o Ministério Público, o mesmo que julgou que a lista tríplice para a reitoria era uma “fraude” sugeriu o mesmo em relação à direção da Faculdade de Educação e recomendou a deposição da diretora legitimamente nomeada [Seria verdade?]. Soube também que houve um professor denunciante, que teria recebido como prêmio pela denúncia, uma viagem para Barcelona, onde participaria de um congresso, gozando diárias e passagens que a senhora interventora teria liberado sem o processo legal. Um professor que está na UFGD há apenas dez meses, enquanto que, é sabido, docente mais antigo tem participado de Congressos com recursos próprios.
Fala-se também em outro prêmio supostamente recebido por um professor, que teria sido o mentor da denúncia de “fraude” em relação a eleição para a reitoria no MP. Esse teria sido premiado pela interventora com o abono de suas faltas à revelia da coordenação de seu curso e da própria Faculdade onde trabalha.
Sussurram pelos corredores que houve malversação de verba pública, mas isso não é de minha alçada e sim do próprio Ministério Público, o mesmo que julgou haver “fraudes” nas eleições da UFGD e recomendou a deposição da diretora eleita.
Ademais, seria de perguntar à senhora interventora: se é que o Ministério Público “recomentou”, não seria o caso de pedir o parecer do Procurador da UFGD, para então tomar qualquer atitude? A pergunta é ancorada no fato de que tenho a mais absoluta convicção de que o Procurador [ligado à Advocacia Geral da União], não recomendaria a atitude da interventora antes de o caso ser encaminhado à Justiça, como aliás foi feito com a questão da eleição da reitoria. Desculpe-me a presunção, mas se houve um parecer do Procurador da UFGD, [se é que já foi nomeado algum] favorável ao ato da interventora, então, estamos mesmo sob a égide de uma ditadura .
Um parêntese para dizer que a judicialização do processo de escolha do reitor da UFGD, caminha para uma solução definitiva, desmentindo a acusação de fraude e dando como legítima a lista tríplice.
Diz-se a boca pequena que o antigo procurador da UFGD foi afastado por interferência da senadora Soraya, a quem foram encaminhadas denúncias por um ex-deputado estadual por Dourados. Com certeza, o Procurador que defendeu a UFGD alegando a sua autonomia e a legitimidade da lista tríplice para a reitoria, não haveria de perder a linha de sua conduta em relação a esse caso da nomeação da deposição da diretora. Portanto se alguém assumiu o seu lugar e, por acaso, ofereceu parecer favorável à medida arbitrária da interventora, então, estamos diante de um golpe.
Mas, sem delongas, registro que acompanho a UFGD [desde que era CEUD], portanto há 45 anos, ora participando ativamente e agora, aposentado, apenas pelo amor que me liga a ela, e nunca soube de eleição fraudulenta. Sei sim que muita eleição legítimea não foi respeitada, mas fraude? Ora, somente quem desconhece a história da UFGD seria capaz de admitir uma denúncia de tal natureza.
A senhora interventora deveria, no meu entendimento, procurar conhecer a bonita história de luta para a criação da UFGD, conhecer também a história das eleições realizadas desde o tempo em que ainda era CEUD/UFGD e. por via de consequência, reconhecesse o seu equívoco em aceitar a sua nomeação.
Não desconheço que a interventora esteja há apenas 3 anos na UFGD e se isso justificasse o seu desconhecimento da história dessa universidade, não significa que possa negar a democracia e a autonomia universitária.
Não sei exatamente, mas se entregasse o seu cargo, evitaria que a maioria da comunidade acadêmica local e a nacional, sentissem tamanha vergonha pela sua nomeação e pelas suas atitudes. E, ainda mais, evitaria a desconstrução de um projeto de desenvolvimento de nossa região. Aliás, de onde apareceu essa interventora?