O mundo contemporâneo não admite mais que um administrador, seja ele público ou do setor privado, decida sozinho prioridades, estabeleça metas e acompanhe tudo o que se passa em sua empresa ou no órgão público onde estiver atuando.
Pode parecer mais rápido e eficaz decidir sozinho, mas decisões intempestivas de dirigentes podem resultar em retumbantes desastres. Nesse ponto o leitor poderá questionar-me dizendo que os generais em batalha decidem sozinhos, mas nesses casos teremos que nos lembrar que a sua decisão foi fruto de uma preparação anterior quando ele, o comandante, e seus colegas de farda estudaram arduamente os procedimentos de uma guerra. Ah, mas os Ministros do Supremo decidem monocraticamente. Nesse caso amparados por Códigos de Leis e, ainda, sujeitos a revisões por parte do colegiado. Portanto, mesmo as decisões que parecem ser individuais, são respaldadas por decisões coletivas, como as estratégias de guerra e as Leis.
Mesmo no âmbito familiar, embora ainda persistam decisões patriarcais, a família é mais feliz quando todos os seus membros podem opinar a respeito de escolhas a serem feitas.
Existem decisões deploráveis e governanças sem rumo que apontam claramente para a inexistência de uma equipe eficiente. No caso da decisão da Secretaria de Educação de Rondônia, por exemplo, há quem acredite que a decisão de retirar 40 títulos de livros das escolas públicas tenha sido uma decisão de equipe?
Caso o secretário tivesse discutido esse assunto com uma equipe, com certeza haveria quem dissesse que tal procedimento seria censura, portanto ilegal. Mas como as discussões democráticas demandam tempo e paciência, o secretário entendeu que seria mais fácil não consultar ninguém. Consequência, passou por ignorante. E na hipótese muito pouco provável que tivesse havido uma decisão de equipe, então, estaríamos diante de uma equipe fascista. Significaria dizer que mesmo para a prática do mau seria necessária uma equipe coesa.
Relembrando, pois como disse William Faukner “o passado nunca morre, nem sequer é passado”, na administração Tetila, quando fui secretário de governo, nos reuníamos todas as segundas feiras, às sete horas da manhã, para fazermos a avaliação da semana anterior e projetarmos a semana que se iniciava. Isso dentro de um planejamento estratégico mais abrangente, apontando o rumo da administração na solução dos problemas. Em oito aos de mandato foram substituídos dois ou três secretários.
Atualmente, na gestão da prefeita Délia, salvo engano, já foram substituídos 41 secretários. O que estaria acontecendo?
Será que essa quantidade enorme de substituições teria algo a ver com o resultado da administração municipal em Dourados?
Existem algumas dicas para manter e motivar uma equipe. Em primeiro lugar o coordenador(a) de uma equipe tem que saber ouvir. Isso é fundamental, mas precisa paciência, nem sempre quem fala apresenta argumentos sólidos, mas é preciso deixar falar, afinal, quem comanda a narrativa são os ouvidos, como já ensinou Ítalo Calvino. Segundo ponto: o coordenador(a) da equipe deve fornecer aquilo que a sua equipe necessita, a começar por salários dignos e condições materiais para a realização de seus respectivos trabalhos. Terceiro: cada cargo deve ser ocupado por pessoa entendida no assunto, capaz de realizar seu trabalho. Quarto: o ambiente de trabalho deve ser agradável, não obstante a complexidade dos temas a serem discutidos. Sexto: o planejamento deve ser cuidadoso, de modo que as tarefas sejam claras e objetivas.
Também no governo federal as demissões de altos funcionários, inclusive ministros, têm sido elevadas. Até que ponto elas travam o desenvolvimento não sei dizer, mas é claro que em cada troca há sempre um recomeço.
Receitas para boas administrações existem, é preciso buscá-las. Uma delas é o voto. Em quem votaremos em 2020? Essa é a pergunta que me fazem constantemente e que ainda não sei responder.
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