A hipocrisia dos nomeadores de dirigentes de ensino superior
Seria difícil encontrar uma palavra mais elegante que desfaçatez para designar artigos assinados por membros da direita golpista douradense (tem uma direita em Dourados que eu respeito) em relação à nomeação do reitor pró tempore da UFGD. O Aurélio explica a desfaçatez como sendo falta de vergonha, descaramento, impudor e cinismo. Não obstante, o enorme peso dessas palavras, louvo-me, sem falsa modéstia, em ser tão benevolente, pois em relação aos artigos que estão sendo publicados caberiam críticas bem mais contundentes como o leitor poderá ver adiante.
O nosso querido CEUD teve ao longo de sua história, iniciada em 1971, portanto ao longo desses 34 anos de existência, 9 diretores. Desses, apenas três foram nomeados após vencerem eleições democráticas, num período altamente positivo para a democracia acadêmica que compreendeu os anos de 1989 a 2000. Foi única e exclusivamente nesse período que o CEUD conheceu a administração de dois diretores de esquerda, representada pela professora Zonir e por mim. A direita (nesse caso golpista ou não) somente pode gabar-se, portanto, de, ao longo desses 34 anos ter eleito um único diretor, o professor Luís Antonio que, mesmo não fazendo o seu sucessor teve um comportamento digno, participando até o último momento de seu mandato, no ato de uma das mais bonitas transmissões de cargo que já tivemos no Campus.
Do mais todos os outros diretores foram nomeados ao arrepio da democracia embora alguns poderão dizer que o foram de acordo com a Lei. Alguns casos são dignos de figurar entre os atos mais despudorados e amorais de nossa história. Relato apenas dois: uma vez participamos de uma eleição que comporia uma lista sextupla para a escolha do diretor. Todos os concorrentes assinamos um termo de compromisso afirmando que só assumiríamos a direção se fossemos o mais votado. Desavergonhadamente que assumiu foi o quinto mais votado. Outra feita, já não vigorava a lista sextupla, mas tríplice e, como havia apenas dois candidatos, quando o Conselho de Campus foi homologar o resultado, ficou decidido que se encaminharia uma lista tríplice, da qual constaria o vencedor da eleição e mais dois nomes escolhidos pelo Conselho. Isso a pedido do próprio candidato derrotado, pois, segundo ele evitar-se-ia pressões. No entanto, num dos maiores escândalos ocorridos na história do CEUD, o candidato derrotado foi feito diretor de Campus, com a participação efetiva de quem hoje ousa assinar artigos falando em partidarização da Universidade.
Das eleições para chefe de Departamentos nem se fala. Certa vez, a esquerda, sempre minoritária no CEUD, mas desta feita muito bem articulada com setores de centro, conseguiu “fechar” uma lista tríplice. Para nossa surpresa o nomeado não foi nenhum dos três eleitos. Com alegações esdrúxulas assistimos perplexos à nomeação de um quarto nome. E a Lei?
Quanto a indicação do reitor pro-tempore para uma nova Universidade, é prerrogativa do Presidente da República, por indicação do Ministério da Educação. Nunca houve eleição para a escolha do reitor para a implantação de uma Universidade. Logo, seria estranho se o MEC indicasse alguém que não estivesse ligado ao partido do presidente de criou a UFGD.
Uma cidade com a massa crítica que Dourados possui já merece políticos menos hipócritas. Merece também enquetes sem vícios de programação, mas esse é outro assunto.