É muito comum se ouvir dizer que embora a democracia tenha os seus problemas, ainda não se inventou nada melhor para substituí-la. É verdade, a democracia, mesmo sendo representativa, continua a melhor opção para o estabelecimento dos governos, no entanto, o seu aperfeiçoamento se torna urgente, sob pena de cair em total descrença em razão dos rumos que tem tomado.
Veja-se por exemplo o comportamento de Partidos Políticos que se transformam em siglas de aluguel, observe-se a maneira como os candidatos são escolhidos para disputarem as eleições e avalie-se, principalmente, o comportamento dos muitos políticos que trocam de partido como se trocassem de camisa, o descaso com programas de governo assumidos em campanha e por aí afora.
Tomemos os casos de eleições majoritárias como exemplo. Por que teremos que escolher entre Alckimin e Lula? Vá lá que entrem no páreo mais dois ou três concorrentes, mas a pergunta será a mesma: por que escolher entre Alckimin, Freire, Garotinho, Heloisa Helena, e Lula? Por que temos que escolher entre André e Delcídio?
Ora, elementar, dirá o leitor, os Partidos Políticos escolhem os seus candidatos e os colocam à disposição do eleitorado. Da mesma forma se dá com os candidatos ao Senado, à Câmara Federal, às Assembléias Legislativas.
Está certo, só que dentro dos Partidos organizam-se as “panelinhas” e a luta para a conquista dos Diretórios Partidários torna-se questão de vida ou morte para os candidatos. Está se tornando regra que as candidaturas partidárias sejam fruto de conchavos entre dois ou três chefes partidários que já divulgam o escolhido antes mesmo de apresentá-los ao Diretório, tamanha é a certeza de que serão referendados.
Candidatos com preparo intelectual e com formação ética sucumbem facilmente, muitos homens e mulheres de bem nem se arriscam a filiarem-se a um Partido Político.
Por ter mencionado apenas candidatos brasileiros, não quer dizer que os meus comentários apliquem-se somente ao Brasil. No mundo inteiro, a democracia como é praticada hoje, sucumbe diante do poderio financeiro, da promiscuidade, da aplicação do tão deplorável conceito de que “os fins justificam os meios”.
Órgãos fiscalizadores como Tribunais de Contas e Ministérios Públicos, mesmo que se empenhem, que desenvolvam as suas atividades dentro da mais completa lisura, não deram conta, ao menos até o presente momento, de oferecer aos cidadãos a convicção de que são capazes de apurar tudo o que lhes compete da melhor maneira.
Estabelecer o Parlamentarismo como solução não me parece solução em um país como o Brasil, onde falta tradição nessa forma de governo e com partidos organizados sem grande apelo ideológico.
Por sua vez, as candidaturas isoladas também não resolveriam os nossos problemas, já que candidatos sem filiação partidária não teriam como financiar suas campanhas e se tivessem, pior ainda, pois aí haveria privilégio para os financeiramente bem sucedidos e a conseqüente exclusão dos sem posses.
Campanhas como voto nulo e voto branco não resolvem. Resta-nos por hora a esperança de uma radicalização da democracia e a formação de massa crítica abundante para discernirmos com mais nitidez os caminhos a percorrer.
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